terça-feira, 8 de agosto de 2017

Dunkirk – Terra, céu e mar em meio a II Guerra


No meio do caos da II Guerra Mundial Winston Churchill disse: “Não se ganham guerras com retiradas”. Mas às vezes as retiradas são o mais humano a se fazer com aqueles que estão na linha de frente do confronto. E é sobre isso e sobre a bondade e abnegação de civis que trata o filme Dunkirk, direção e roteiro Christopher Nolan.


Dunkirk não é um filme para todo mundo. E quando digo isso quero explicar que ele não é comercialzão, do tipo que vai agradar ao grande público com alívio cômico, amor e finais felizes (meu marido mesmo saiu do cinema sem ter uma opinião formada se tinha gostado ou não, eu gostei muito). Essa é uma produção com poucos diálogos e poucas cores, que mostra o pior e o melhor dos homens no momento de sobrevivência. Não tem um protagonista, um mocinho propriamente dito.

Dunkirk é baseado em um acontecimento real que nem tanta gente conhece. Os exércitos aliados francês e britânico estavam encurralados na praia de Dunkirk, na França. Os alemães já tinham tomado toda a região. Mais de 400 mil soldados ingleses ficaram nas areias da praia sem comida esperando por socorro enquanto eram protegidos pelos franceses, mas a Marinha não conseguiu chegar até lá, não sem ser bombardeada e aniquilada pelos alemães. Então Churchill convocou a sociedade civil em pequenos barcos para que atravessasse o Canal da Mancha e salvasse alguns homens. E a população respondeu ao chamado.



O filme se passa em três núcleos, em três tempos diferentes em três locais diferentes: O primeiro acompanha soldados presos na praia durante uma semana, o segundo tem um pai com dois garotos atravessando o mar num pequeno barco de lazer para resgatar soldados durante um dia e o terceiro mostra dois pilotos de caça dos aliados que tentam derrubar os aviões alemães na região próxima de Dunkirk durante uma hora. Três histórias que acontecem de forma paralela e se entrelaçam num desfecho muito maior do que si próprias.

A música de Hans Zimmer é onipresente, é um personagem. Ela cria durante 1h46 um clima de tensão e de urgência. Dunkirk não seria o filme que é sem esse toque de Zimmer. A guerra de Christopher Nolan não exalta aliados e nem deprecia alemães. Ela exalta a sociedade civil, homens que não precisavam ser parte da guerra e foram. Em nenhum momento a palavra “nazismo” é proferida, nem mesmo Hitler é citado e os judeus não são comentados. A questão foi esse acontecimento específico, que não foi crucial para que a guerra terminasse, mas foi importante para que se voltasse a ter fé na humanidade. Além disso, se os soldados não tivessem sido evacuados e realocados em outras batalhas, talvez a Alemanha tivesse ganhado.



Nolan é um louco, é um gênio e não podemos dizer que não seja ousado. Para vocês terem ideia, de acordo com o IMDb, numa das cenas em que o caça cai, ele realmente derrubou o avião no mar, que tinha uma câmera acoplada nele, com todas as imagens para o filme. Só que o avião afundou mais rápido do que o esperado e não conseguiram resgatar a câmera antes que fosse para o fundo. Tiveram que usar mergulhadores para pegar tudo o mais rápido possível para que parte do filme não fosse perdido e molhado. Além disso, ele, a esposa e uma amiga atravessam o Canal da Mancha num pequeno barco para ver como era a experiência, que durou 19 horas.

Como os soldados que estavam em Durkirk eram jovens e inexperientes, Nolan quis levar essa atmosfera ao cinema, pois o elenco é quase todo de desconhecidos. Harry Styles, o cantor, é um dos soldados, o nome mais conhecido ali, apesar de ser sua estreia como ator. De conhecidos temos também Tom Hardy, Mark Rylance, Jack Lowden, Cillian Murphy e Kenneth Branagh, além da voz de Michael Caine numa rádio. O elenco conta com 69 atores, mas foram usados mais de mil figurantes, além de papelões no formato de soldado para parecer que tinha mais gente.



Você pode até não gostar dos filmes de Christopher Nolan, mas não podemos dizer que são comuns ou esquecíveis. Interestelar, A Origem, O Cavaleiro das Trevas, Homem de Aço (foi dirigido por Zack Snyder, mas o roteiro é dele), O Grande Truque... Sempre que temos o nome de Nolan envolvido na direção e no roteiro podemos esperar algo fora da caixinha e eu, particularmente, gosto do seu estilo mais taciturno, apesar de também amar filmes leves.

Recomendo muito.

Teca Machado


5 comentários:

  1. Vish eu ainda não assisti, fui ver Planeta dos Macacos que nem gostei tanto assim.
    Poxa, já quero muito ver esse filme.
    A fotografia que vi pelos trailers me instigou bastante.
    E esse poster!!!!!!!!!!!!!!!!!! Quero.

    xoxo
    http://rascunhosehistorias.blogspot.com.br/

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  2. Amei a ideia de não ter um mocinho, um protagonista, e do fato de o filme ser baseado em uma história real.
    Gostei demais de todas as curiosidades sobre o filme que você trouxe nesta resenha. Meu marido queria muito assistir ao filme, mas eu não estava muito afim, agora, você conseguiu me motivar a assisti-lo, haha.
    Beijo, www.apenasleiteepimenta.com.br

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  3. nossa, amei saber desse filme! adoro o Nolan, esse tema de segunda guerra tbm super me atrai e gostei dessa ideia de nao ter um personagem principal, fiquei bem curiosa pra assistir

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. Oi, Teca.
    Nossa, achei bem interessante, mas estou em uma onda de coisas mais românticas.
    Porém anotei a dica e irei assistir futuramente.
    Beijos,
    Keth.
    Blog: www.parbataibooks.blogspot.com.br

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  5. Oi, Teca!!

    Gostei bastante do que falou aqui. Ainda não assisti, mas quero ver. Gosto da maioria dos filmes do Nolan que vejo então tenho esperanças de gostar desse também.

    Acho que deve ser muito emocionante conferir a coragem das pessoas comuns que arriscam suas vidas para salvar outros. Estou bem curiosa para conferir esse filme. :)

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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