quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Mínimo Para Viver – A magreza em seu terrível ápice


Quando emagreceu para o papel de Ellen, em O Mínimo Para Viver, filme da Netflix, Lily Collins, atriz filha do cantor Phil Collins, encontrou uma amiga que lhe disse que estava ótima magérrima e queria dicas para perder tanto peso. Isso não teria sido tão terrível se Lily Collins não estivesse cadavérica propositadamente para interpretar o papel uma anoréxica em fase quase terminal e ela mesma já não tivesse passado por distúrbios alimentares. A produção, que foi um filme independente escrito e dirigido por Marty Noxon e comprado pelo serviço de streaming, tem um viés muito cru, real e nada glamourizado do que é consumir apenas o mínimo para viver – às vezes nem isso.


Lily Collins vive Ellen, uma garota anoréxica de 20 anos, com a família extremamente problemática, que já passou por quatro internações e nada parece surtir efeito. Ela continua comendo pouquíssimo, fazendo abdominais obsessivamente e sem muita pré-disposição para aceitar ajuda. Já chegou num ponto de quase morte quando sua madrasta Susan (Carrie Preston) consegue marcar uma consulta com o dr. Beckham (Keanu Reeves), conhecido por métodos menos ortodoxos para tratar distúrbios alimentares, e é internada em sua clínica nada convencional.

O Mínimo Para Viver não glamouriza os distúrbios alimentares – os outros pacientes da casa são bulímicos, obsessivos por comida e outros – mostrando o que há de pior na doença. Ellen parece um fantasma e seu corpo já está consumindo músculos para sobreviver, Pearl (Maya Eshet) é obrigada a comer por tubos, Anna (Kathryn Prescott) esconde um saco de vômito pós-jantar embaixo da cama, Megan (Leslie Bibb) está grávida, mas não consegue comer para alimentar o bebê, Kendra (Lindsey McDowell) come descontroladamente manteiga de amendoim e Tracey (Ciara Bravo) quer saber como as colegas fazem para induzir vômito. Luke (o ótimo Alex Sharp) é o único que parece estar conseguindo reagir ao tratamento, ainda que com seus altos e baixos.



Algumas pessoas podem dizer que O Mínimo Para Viver, assim como 13 Reasons Why, é uma forma de incentivar jovens doentes a alcançar suas metas de emagrecimento. Mas o filme é bem didático nesse sentido. A produção mostra a feiura da doença, como ela afeta não só a pessoa, mas toda sua família. Os parentes de Ellen já são problemáticos por si próprios e a sua condição só piora ainda mais as coisas. Ellen passa por variações de humor quando pensa que está no controle do que faz e quando assume ter um medo absurdo de engordar.

O filme não busca o motivo de os personagens serem assim e não apresenta ao espectador o padrão de beleza vigente e os distúrbios que ele pode gerar. Nem mesmo é mostrado como Ellen chegou a esse ponto e nem o porquê, apesar de sermos apresentados a um fato que decididamente mexeu com ela quando já estava doente. Mas como o dr. Beckham salienta muitas vezes o problema está no passado, cabe a você decidir como agir no presente para ter um futuro, porque se continuarem dessa maneira, o futuro será muito breve.


Lily Collins foi uma ótima escolha para o papel principal, pois seu tom sombrio e de deboche combinou perfeitamente com Ellen. A atriz disse numa entrevista que foi seu trabalho mais gratificante, pois foi uma espécie de libertação dos seus próprios fantasmas.  Alex Sharp também é uma estrelinha que brilha sem parar sempre que em cena. Seu jeito carismático e irônico conquista. Keanu Reeves está muito bem, mesmo que eu quisesse que seu personagem fosse melhor explorado. Muito se fala sobre seus métodos, mas ele mesmo como médico pouco aparece.


A diretora e roteirista foi bem sucedida, pois poderia ser apenas mais um filme sobre anorexia. Tem alguns problemas de enredo, claro, como o pequeno romance totalmente desnecessário e o final um tanto fantasioso de alucinação de Ellen, mas nos dá um tom positivo, ainda que num desfecho meio aberto, mas otimista.

Recomendo.

Teca Machado

3 comentários:

  1. esse filme é mt bom, em mts momentos acho que retrata bem a realidade de quem distúrbio alimentar e como é difícil lidar com ele, ótima indicação

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  2. Oi, Teca!!

    Ainda não vi esse filme, mas está na lista. Gostei deles mostrarem a realidade feia de quem passa por esses problemas.
    Uma pena apenas que não foi questionado a padrão vigente de beleza americana.

    Acho a Lily Collins uma boa atriz também e estou bem curiosa para conferir assim que possível.

    Bjs!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  3. O filme parece ótimo!
    Uma crítica e tanto a essa ditadura da beleza e da magreza a qual vivemos.
    É bom ter um filme que mostra o lado feio desse tipo de doença, porque as pessoas ficam achando que é só glamour e tal, sendo que na verdade é mais sofrimento do que tudo.
    Com certeza foi pra minha listinha dos que quero assistir ^^
    bjin

    https://monevenzel.blogspot.com.br/

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