quarta-feira, 23 de agosto de 2017

João, O Maestro – A música, o silêncio e um obssessivo


João Carlos Martins (interpretado por Alexandre Nero, Rodrigo Pandolfo e Davi Campolongo em suas diferentes fases da vida), é o protagonista do filme João, O Maestro, do diretor Mauro Lima. Mas não só ele é o palco central da história. O piano também é, assim como Bach, Mozart, Beethoven, Chopin e outros nomes da música erudita.


O mais incrível é que a história de João Carlos Martins, tão cheia de percalços e persistência, já deveria ter virado filme há muito tempo. Não chego a acompanhar o trabalho do maestro, mas já sabia por alto sua trajetória, porque adoro música erudita e sinfônica (pois é, quem diria, a pessoa que ama rock, pop e músicas adolescentes também escuta o clássico).

João, O Maestro foca no talento e na paixão – no caso obsessão – que João Carlos Martins tem pelo piano. Apesar de mostrar seus relacionamentos familiares por alto, a maioria deles fracassado, é muito claro que durante toda a vida o seu amor foi a música e a música apenas. Saúde, esposa, filhos, amigos... Tudo isso fica para trás quando ele tem um piano próximo a si.




Persistência é uma palavra que pode descrever João Carlos Martins. Ou talvez obsessão, teimosia, loucura, falta de juízo. A música desistiu dele muitas vezes, mas ele nunca desistiu. E essa história tão bonita de superação foi contada do modo certo pelo diretor: cheia de música e com diálogos apenas quando necessário.

Alexandre Nero, que interpreta o maestro já na sua fase madura, dispensa comentários. O ator sempre dá o melhor de si. Quem já viu pelo menos uma vez João Carlos Martins a frente de uma orquestra vai enxerga-lo nos gestos, nas feições, na maneira de posicionar as mãos que Nero tão lindamente consegue reproduzir. Rodrigo Pandolfo, conhecido por papeis cômicos, faz um jovem, desajeitado e extremamente nerd João com maestria (desculpa o trocadilho!). O ator está excelente e mesmo quando o personagem está em seus momentos mais baixos é possível se identificar com ele. Davi Campolongo, que faz o músico quando criança, é uma fofurinha que espero ver mais em breve. E foi muito bacana ver o próprio João Carlos Martins fazer uma pontinha no fim do filme.



Além da trilha sonora incrível, que foi toda – todinha – feita usando gravações do próprio João Carlos Martins tocando, o filme tem uma edição muito bem feita. Apesar de ser um filme biográfico, ele não segue totalmente a linearidade do tempo, com flash backs usados para colocar em perspectiva trechos importantes da sua vida e da sua carreira.

Eu amo comédias, não me entendam mal, mas é tão bom ver João, O Maestro e saber que a produção brasileira pode ser muito mais do que algumas risadas. É possível ter um cinema mais denso, profundo e bem pensado com um enredo que pode interessar espectadores de qualquer lugar do mundo (até porque João Carlos Martins é conhecido internacionalmente).

O verdadeiro João Carlos Martins

Assim como o foi dito no filme, “a música deve moldar o silêncio. O silêncio após uma peça de Mozart também foi escrito por Mozart”, o silêncio de reverência que fica na sala do cinema após a exibição da produção diz muito sobre o homem por trás de tudo.

Recomendo bastante.

Teca Machado


2 comentários:

  1. Essa semana minha mãe me falou desse filme, e eu nem conhecia a história do músico/maestro.

    Se quiser participar e/ou divulgar, separei um presentinho ara uma leitora lá no blog: https://oblogdafenixx.blogspot.com.br/2017/08/sorteando-blog-esta-de-volta.html

    ResponderExcluir
  2. Estou louca para assistir.
    Beijinhooos. ❤
    www.amordeluaazul.com.br

    ResponderExcluir