segunda-feira, 9 de julho de 2018

Os Incríveis 2: Crítica


Eis que longos 14 anos depois, nós vamos ao cinema para continuar assistindo as aventuras da família Pera em Os Incríveis 2!

É super interessante ter a experiência dessa animação aos 16 e aos 30 anos. Meu marido nunca tinha assistido Os Incríveis (O que ele estava fazendo em 2004 que não viu essa lindeza?) e para podermos ver a sequência encontramos o primeiro na Netflix. No dia seguinte vimos o filme 2 no cinema. Quando adolescente, ele parecia muito mais leve e simples do que realmente é. Claro, tinha a questão dos heróis viverem escondidos e anônimos e as relações familiares e união, mas as camadas são muito mais profundas, assim como é nessa continuação. Claro, há a diversão para as crianças, com as cores fortes, os traços em ângulos e as cenas de comédia, principalmente com o bebê Zezé, mas há discussões e reflexões que adultos enxergam muito mais as nuances.

Os Incríveis 2 começa exatamente onde o filme 1 termina: Num evento escolar sendo arruinado com a chegada do vilão Escavador e a família Pera correndo para intervir. Mas os heróis ainda são proibidos e suas ações ilegais. Sem opções de como seguir em frente, pois o governo não irá mais protegê-los, Winston e Evelyn Deavor, irmãos riquíssimos, influentes e que são pró-heróis, entram em contato com os Pera para que juntos possam trazer a glória aos supers novamente. E nessa caminhada lutam contra um novo vilão, o Hipnotizador (que tem um excelente discurso sobre como somos guiados por telas e visores, nos fazendo pensar sobre como televisão, cinema, celulares e tablets nos fazem viver e observar a vida dos outros, não a nossa própria. Profundo e pertinente!).



Sabemos que o Sr. Incrível é egocêntrico, gosta de ser, bom, incrível e de arrasar quarteirões, mas ele entra em crise quando a heroína solicitada é sua esposa. Enquanto a Mulher Elástica vai lá salvar o mundo, o marido fica em casa com os filhos. A esposa reencontra um mundo de aventura, adrenalina e sentimento de ser necessária que há 15 anos estava escondido, mas ao mesmo tempo que se diverte, sente a culpa de deixar os filhos para trabalhar. E vemos aí um pai que pouco sabia da trabalheira que é olhar as crianças e equilibrar a vida em família (e temos uma excelente metáfora de como a esposa é elástica, se estica e desdobra para cuidar de tudo, assim como seu poder). Há uma pitada feminismo – bem explícito quando chamam a personagem de empoderada e ao colocar duas mulheres de grande poder em posições de destaque – mas não faz disso a sua bandeira social. Isso é interessante, porque torna o filme muito atual, mas não é uma crítica a sociedade.

Os Incríveis, tanto 1 quanto o 2, falam sobre as frustrações da vida adulta, de como se adaptar à realidade, que não foi como a expectativa. E não só os adultos passam por isso. Violet, a filha adolescente, passa pela frustração do pai apagar a memória do namoradinho e de querer renegar sua super-identidade e Flecha a de nunca poder explorar seu potencial. E eles ainda brigam para ver quem vai cuidar do bebê enquanto o outro irmão salva o mundo.




Os Incríveis 2, apesar de contar com uma tecnologia muito mais avançada do que aquela disponível em 2004, ainda respeita a essência do original, tanto que até mesmo os dubladores são os mesmos. Tem todo aquele “quê” dos anos 1960, mas é mais refinado, principalmente nas cenas de luta (a da Mulher Elástica contra o Hipnotizador é um delírio visual!), nos detalhes dos personagens e nas demonstrações de poderes do Zezé (o bebê com a Edna Modas e quando ele briga com um guaxinim são definitivamente ótimas sequências). Ao mesmo tempo que é nostálgico para os fãs como nós, de 30 e poucos anos, é inédito para aqueles que estão tendo o primeiro contato com a família.

O diretor Brad Bird sabe fazer filmes excelentes, que mexem com nossos sentimentos ao mesmo tempo que entretêm (é só ver o seu lindo Ratatouille). Ele sabe bem o tipo de filme que precisa apresentar, tratando com muito carinho personagens que ficaram um pouco de lado por 14 anos, ainda que sejam amados do público. Bird dubla no original a nossa querida e amada Edna Modas e solta uma das pérolas do filme: “Aceita que dói menos” em uma referência a aceitar as mudanças de na sociedade.


Em época de Marvel, Vingadores, DC e Liga da Justiça, Os Incríveis 2 é um ótimo filme de heróis que em pouco fica devendo aos grandes live-action. Não é a toa que o filme já arrecadou U$ 633 milhões ao redor do mundo, sendo a maior estreia de animação da história do cinema.

Recomendo muito.

Teca Machado

4 comentários:

  1. Realmente, o que o Caio estava fazendo que não assistiu ao filme? rsrs.
    Quero ver o 2 <3.
    Verdade, Brad Pitt soube nos emocionar e nos cativar. Espero gostar do próximo.

    Tenha uma ótima noite!

    Abraços,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br

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  2. Oi, Teca!

    Eu ameeeei esse segundo filme, foi a continuação perfeita do primeiro, e não deixa nada a desejar! Concordo com você sobre a diferença de percepção de acordo com a idade que assistimos o filme, e sem dúvidas conseguimos perceber questões e pontos relevantes que crianças deixam passar despercebido, além de provavelmente nem se importar com algo além da diversão e o entretenimento que o filme tem a oferecer. Eu quero é assistir de novo logo logo hahaha

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  3. ah que bacana! eu adorei o primeiro filme e gostei mt de saber mais sobre o segundo,sobre esse crescimento dos personagens etc, quero ver com certeza

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. Oi Teca,
    Eu achei o primeiro filme bem bacana, apesar não ser uma das minhas animações favoritas. Eu espero curtir esse segundo também!
    Acho os personagens bem simpáticos e estou muito curiosa em relação ao Zezé hahaha
    Edna minha fav, certeza ♥

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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