sexta-feira, 13 de julho de 2018

Paris É Uma Festa - Resenha


Quarta-feira falei sobre o desafio que fiz em 2018 de ler cinco clássicos da literatura mundial. Se quer saber mais sobre ele, saber quais são os livros, é só clicar aqui. Mas nas últimas semanas terminei o segundo item da lista: Paris É Uma Festa, de Ernest Hemingway.

Foto @casosacasoselivros

Essa foi uma experiência muito legal e diferente. Confesso que nunca havia lido nada de Hemingway, só sabia que ele era um gênio, por isso não sabia bem o que esperar. Comecei com o seu livro não-ficcional, muito autobiográfico, então não sei se é possível comparar essa obra com as outras, principalmente com as que ganharam prêmios. Só sei que Paris É Uma Festa foi uma viagem aos loucos, deliciosos, culturais, felizes e efervescentes anos 1920.

Esse livro foi lançado postumamente, em 1964 (Hemingway faleceu em 1961) e traz as memórias do escritor dos anos em que morou na Cidade Luz. Essa foi uma época em que vários artistas, poetas, escritores, formadores de opinião moraram em Paris, se encontravam, se ajudavam e trocavam ideias sobre suas produções. Vemos pessoas reais em suas páginas, como F. Scott Fitzgerald e sua esposa Zelda, Gestrude Stein, James Joyce, Ezra Pound e muitos outros. 

Hemingway escreve com carinho daqueles dias, mas há também rancor por algumas pessoas e situações. Em momentos se mostra doce e leal e em outros azedo com as lembranças. É muito interessante ver os segredos de amigos da época, principalmente dos Fitzgeralds, que ganham mais de um capítulo sobre eles e têm suas vidas destrinchadas. Há até mesmo uma passagem em que eu ri muito, de quando Fitzgerald pergunta a Hemingway sobre o tamanho do seu... bom, dito cujo, e ambos vão ao Louvre para ver as estátuas e analisar se eles e as esculturas são anatomicamente corretos.

Hemingway e Fitzgerald

Ao mesmo tempo que há trechos interessantíssimos, há alguns mais lentos, principalmente os finais, quando Hemingway e a esposa estão nas montanhas da Áustria vivendo de esquiar. Mas como os capítulos são bem curtinhos, a leitura flui bem rápido. E apesar da escrita um pouco densa e levemente rebuscada, não é algo que chega a incomodar ou travar o ritmo.

Ao ler essa obra me sentia dentro do filme Meia Noite em Paris, de Woody Allen. Aquele clima festivo, que senti muito em O Grande Gatsby (apesar de ele passar próximo de NY, não na Cidade Luz) estava presente em cada página. Festas, vinho, champagnhe, boa comida, uma cidade fervilhando criações culturais e todas aquelas conversas profundas e existenciais. É uma época na qual gostaria de ter vivido – ou pelo menos visitado, como o protagonista do filme.

Hemingway falou muito sobre pessoas que realmente existiram e ao ler um pouco sobre cada uma delas ficava curiosa. Pesquisei fotos, li sobre suas vidas e fiquei fascinada com as descobertas, principalmente de Zelda e F. Scott Fitzgerald (Você sabia, por exemplo, que o jogo The Legendo of Zelda foi inspirado nela?).

Gente, fala se não era bonitão esse homem?

Paris é quase uma personagem do livro. Ela é viva, ela pulsa, ela tem grande importância na formação de Hemingway e de vários outros escritores e poetas da época. Ela não é romantizada e nem só seus lados bons expostos. Há de tudo um pouco e, assim como Hemingway, isso a torna mais real e brilhante.

Apesar do tom positivo do livro, ele termina um tanto agridoce – e eu, obviamente, fui pesquisar o que aconteceu na vida de Hemingway depois dele (E a vida dele foi BEM doida. Veja aqui algumas das situações pelas quais ele passou). Temos aqui um Hemingway grande parte do tempo colérico, como ele mesmo assume, por vezes inseguro com a própria produção literária e um cara legal que quer conhecer e interagir com muitas pessoas que passam pelo mesmo que ele. Temos que lembrar que esse é o autor que vivia com dificuldades financeiras, que largou o jornalismo para viver o sonho de escrever em Paris, mas que tinha muitas dificuldades em escrever um romance completo, apenas focando em contos.

Hemingway já consagrado como escritor

Amei passar uns dias em Paris com Hemingway e fico extremamente feliz por ter adicional Paris é Uma Festa na minha lista de clássicos para ler em 2018. Agradeço à amiga literária de todas as horas Stéfanie Medeiros, que me incentivou a ler e que durante a minha leitura recebia fotos dos personagens e comentários do tipo “por que o Fitzgerald usava essa cabelo ridículo?” e “minha nossa, eu pegaria total o Hemingway”.

Essa é uma leitura que eu recomendo muito, principalmente para escritores e aspirantes a autores.

Teca Machado

9 comentários:

  1. Nunca li nada do autor também e, sinceramente, acho que não conhecia direito nem pelo nome, juro. Não me parece o tipo de livro que me agradaria, acho que é mais pra quem é fã do cara mesmo, sabe? Mas deve ser legal saber mais sobre a vida do autor e sobre outras pessoas que também foram reais!
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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  2. EU TO BERRANDO COM OS COMENTÁRIOS FINAIS HAHAHAHHA
    Confesso que livros assim não são muito minha praia, mas sua resenha conseguiu me convencer a dar uma chance.
    E sim, eu também pegaria o Hemingway
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Oiii Teca

    Nunca li nada do Hemingwaay, aliás clássicos já não são a minha praia, acho que as leituras obrigatórias do tempo do colégio me traumatizaram mas... a resenha me convenceu a repensar no assunto, pelo menos com relação à esse livro. A ambientação é maravilhosa e Hemingway foi um homem cheio de histórias pessoais pra contar mesmo, foi amigo de várias celebridades da Hollywood clássica, e tenho certeza que parte do que viveu transparece bem em sua escrita e obra.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Oi, Teca.
    Também nunca tinha lido nada dele.
    Fiquei bem curiosa para conferir essa obra desse gênio, rs.
    Amei essa capa, por sinal.

    Tenha uma ótima noite!

    Abraços,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br

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  5. Oi
    não conhecia o livro, não sei se leria só que pelo que falou parece ser uma boa obra, achei legal sua iniciativa de ler livros classicos.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  6. Eu também estou com uma meta de ler mais clássicos. Não conhecia essa obra e confesso que livros autobiográficos raramente despertam meu interesse, mas pela sua resenha parece ser interessante e me despertou a curiosidade. Os Delírios Literários de Lex

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  7. Oi Teca,

    Esse ano deixa os clássicos meio de lados, mas pretendo retomar algumas leituras em breve.
    Não conhecia esse livro, mas gostei de como o autor abordou o livro, e adorei os últimos comentários rsrs. Acho que concordo com sua amiga.
    Bjs e um bom fim de semana!
    Diário dos Livros
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  8. Ando algum tempo para me desafiar a ler alguns clássicos, apesar de ter alguns na minha estante, fujo sempre deles. Um dia vou por isso em prática, porque tenho pena de durante a minha vida ter lido tão poucos, desse autor nunca li nada.

    MRS. MARGOT

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  9. OI BISTEQUINHA

    que legal essa ideia de ler clássicos mundiais. Sempre que vejo aquelas listas de clássicos que vc precisa ler acabo ficando frustrada porque nao li muitos na minha vida. Aceitar é o primeiro passo, né? HAHAHA agora é ir atrás deles
    voce falou de uma vibe woody allen no livro e achei isso muito amorzinho <3

    beijo
    www.beinghellz.com.br

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