sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Festival Afeganistão: O Silêncio das Montanhas


Hoje é o último dia do Festival Afeganistão e vou finalizar com o terceiro e mais novo livro de Khaled Rousseini: O Silêncio das Montanhas.


Entre as três obras, foi a que eu menos gostei. O autor tentou fazer algo diferente, mas não achei o livro mais legal do mundo. Não foi ruim, mas também não arrebatou o meu coração como A Cidade do Sol ou O Caçador de Pipas.

São nove capítulos (E são 350 páginas, então cada capítulo é gigantesco) e cada um é visto pelos olhos de um personagem. Às vezes em primeira pessoa, às vezes em terceira. Todos eles estão entrelaçados de alguma maneira e são importantes para a história principal, que é a que abre e fecha o livro.

A obra começa e termina com a saga dos irmão Abdullah e Pari. Eles são órfãos de mãe e o pai se casou novamente. Muito pobres, eles moram numa aldeia distante de Cabul, são vários dias de caminhada até lá. A ligação entre os dois é enorme, quase como se fossem gêmeos. O garoto tem 10 anos e a menininha três quando o pai os leva até a cidade grande e separa os dois irmãos de modo que o leitor até entende as suas motivações, mas não deixa de ficar revoltado. Assim o autor começa a tecer um fio que liga várias outras pessoas à trajetória dos dois irmãos durante mais de seis décadas.

Há histórias na antiga aldeia de Pari e Abdullah, na Grécia, em Paris, nos Estados Unidos e outros. E os capítulos não estão em ordem cronológica e nem explicam sobre quem é, o que faz o leitor se confundir no início de cada um, porque às vezes só depois de muitas páginas o autor explica qual a sua ligação com os irmãos principais. Em alguns momentos, conta apenas alguns dias da vida do personagem principal do capítulo, em outros é a sua vida toda, do início ao fim.

Esse é o sr. Housseini

Diferente dos outros dois livros, dessa vez Khaled Rousseini não me arrancou lágrimas. Nem mesmo me deu um nó na garganta. O livro é cheio de sensibilidade, é claro, com situações muito tristes que poderiam ser reais, mas como não foi uma obra inteira sobre um personagem específico, eu não criei laços de verdade com nenhum deles, então nem chorei. Ou talvez eu estivesse mesmo numa semana insensível.

Para ler O Silêncio das Montanhas recomendo que você esteja com a mente leve e totalmente concentrada na história, se não pode se perder em algumas partes. A leitura não flui, como nos outros. Fora que é um livro pesado, quase como se fossem nove livros dentro de um só. 

É preciso coragem para ler o primeiro capítulo. Ele é bem chato, com uma estrutura narrativa sem travessão nem nada do tipo. É bem coloquial mesmo, com o pai de Abdullah e Pai contando uma lenda afegã. Garanto que se você chegar ao final dele, o livro melhora e fica até bonzinho. É legal de vez em quando ler uma obra diferente. Mas só de vez em quando.

Recomendo.

Teca Machado

P.S.: Sorteiooooooo! Veja aqui.

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