sábado, 27 de setembro de 2014

Brilho – Sobre espaço, uma Nova Terra e atrocidades do ser humano


Costumo dizer que eu sou que nem um gatinho: Vejo coisas brilhantes e já vou em direção a elas. Foi assim com o livro Brilho, de Amy Kathleen Ryan, que peguei em parceria com a Livraria Janina. Foi mais um daqueles casos em que aconteceu amor à primeira vista pela capa, uma das mais lindas que já vi. E não só a capa é excelente, mas também o enredo fantástico criado pela autora que tem mestrado em escrita criativa.

Não dá de ver na foto, mas TODOS esse pontos brancos da capa são glitter!

Não deixe o título bonito e capa cintilante te enganarem a ponto de você achar que é só mais um romance adolescente bobinho. Até tem romance, mas nem de longe é o foco, nem de longe mesmo. Brilho é comparado a Jogos Vorazes em complexidade de personagens, enredo, mortes e mundo onde estão inseridos. Ele é um livro que te deixa sem fôlego. Passa no espaço, com situações onde o oxigênio falta, então acaba que meio que me sinto como os personagens. Amy soube nos prender, amarrar, deixar curiosos e implorar para saber como termina.

Em Brilho a Terra não tem mais condições de abrigar a raça humana e nem os animais (Algo recorrente em filmes e livros, né?). Mas os cientistas encontraram um planeta habitável, o chamaram de Nova Terra e construíram duas naves para enviar para lá a humanidade e a nossa fauna e flora para que não fôssemos extintos. 

Há mais de quarenta anos viajando, a nave New Horizon foi lançada um ano antes da Empyrean, por isso, as duas nunca deveriam se encontrar durante o caminho, pois são milhões de quilômetros que a distanciam. Mas não é isso que acontece. Por algum motivo, as mulheres da New Horizon se tornaram inférteis, então, para poder continuar com a missão de repovoar um novo planeta, eles desaceleraram, se encontraram com a Empyrean no meio do caminho, sequestraram todas as garotas, mataram quase todos os adultos e deixaram os meninos praticamente sozinhos.

Amy Kathleen Ryan
Kieran e Waverly, primeiros filhos da nova geração da nave Empyrean, namoram há um tempo e espera-se que logo casem e tenham filhos. Para Kieran isso é óbvio. Bom moço, ajudante do capitão e inteligente, ele é o próximo na linha de comando da nave. Já Waverly não pensa o mesmo sobre seu futuro, não quer ser vista apenas como uma reprodutora, e por vezes fica incerta, ainda mais que também pensa bastante em Seth, um rapaz antissocial e brilhante. Mas quando Waverly é sequestrada e Kieran fica para trás tendo que cuidar de centenas de garotos desesperados, ambos precisam criar estratégias para salvarem a si próprios e aos outros tripulantes daqueles que deveriam ser seus aliados, mas se tornam inimigos: os vizinhos da nave New Horizon.

Brilho tem o trunfo de mudar a lealdade do leitor facilmente. Num momento você não gosta de um personagem, depois de outro e não sabe ao certo quem é vilão, quem é bonzinho. O que se tem certeza é: Ninguém é perfeito. E, pelo que vi da sinopse de Centelha, continuação lançada mês passado, isso vai acontecer mais ainda. Os personagens vão evoluindo, às vezes de maneira que você nem imagina.

Amy Kathleen Ryan criou um universo (No caso, literalmente universo) fantástico, com o espaço e as naves sendo cientificamente precisos, mas com explicações que qualquer leigo no assunto entenda. Narrado em terceira pessoa, o livro é dividido em atos, sendo o foco alternado entre Waverly e Kieran.

É interessante como há todo um debate sobre os seres humanos serem seus próprios sabotadores, com nós mesmos sendo responsáveis pela nossa extinção. Fora que a autora explorou bem a atitude das pessoas frente ao caos e ao desespero, principalmente crianças e adolescentes totalmente despreparados para a situação. Enquanto de um lado rola ditadura e rebelião, do outro há uma teocracia inquestionável.

Agora, cá estou eu, curiosíssima para saber o que acontece em Centelha (Apesar de que estou muito triste que a capa, mesmo bonita, não seja cheia de glitter, haha).


Recomendo muito.

Quer comprar? Então corre aqui no site da Livraria Janina!

Teca Machado

Um comentário:

  1. Sou apaixonada por capas! <3
    Adorei essa, mas sobre a história, eu não sei se eu gostaria. Pelo menos, nesse momento, acho que não. Mas eu vivo mudando, então, dica anotada! ^^
    Beijocas,
    Carol
    www.pequenajornalista.com.br

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