sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Menina da Neve – Conto de fadas russo


Friorenta do jeito que sou, senti frio só de pensar no cenário de A Menina da Neve, de Eowyn Ivey, que recebi em parceria com a Editora Novo Conceito. A história passa no inverno do Alasca em 1920 (Então esqueça os aquecedores elétricos!) e tem um enredo delicado, doce e bem diferente.

Livro cedido pela Editora Novo Conceito

Confesso que não foi a leitura mais fácil da minha vida. O livro tem um ritmo mais lento, focado nos sentimentos, melancolias e tristezas de um casal que nunca pôde ter filhos. Para fugir dos olhares de pena de parentes e do trauma de um bebê que nasceu morto, Jack e Mabel deixaram o ambiente familiar da Pensilvânia e foram enfrentar as terras selvagens do Alasca

Mas o que à primeira vista pareceu uma aventura, se tornou uma vida solitária. Enquanto Jack trabalha sozinho nos campos e a terra é dura, árida e quase não dá o sustento, Mabel passa seus dias numa cabana sucumbindo à solidão. Eles não são mais um casal apaixonado, os problemas os afastaram. Até que na primeira nevasca da temporada, num raro momento a dois, eles vão ao quintal fazer um boneco de neve. Na verdade, uma menina de neve.

No outro dia de manhã a escultura desapareceu, mas Jack e Mabel veem uma garotinha correndo pela floresta próxima. E ela se parece muito com a menina que eles esculpiram na noite anterior. Muito branca, loira, olhos azuis, boca vermelha e muito misteriosa. Vive sozinha em pleno inverno rigoroso e caça ao lado de uma raposa vermelha. Será que ela é uma resposta ao desejo mais profundo do coração do casal? Ela é um boneco de neve que criou vida? Ela é apenas uma menina perdida na floresta?

Eowyn Ivey
A Menina da Neve é baseado num conto de fadas russo, que várias vezes é citado no livro. Eowyn Ivey não se ateve a explicar vários aspectos do mistério (Qual era o papel daquela raposa na história, gente?), mas fica a cargo do leitor, o que para mim foi um pouco difícil, já que eu gosto dos porquês, de saber o que o autor estava pensando quando escreveu.

Jack e Mabel são sofridos e você sente compaixão pelo drama de eles não terem filhos. Não são um casal loucamente apaixonado, típico de romances, mas entre eles há afeto, companheirismo e cumplicidade, mesmo que sejam mais reservados sobre o que sentem um pelo outro. Já a menina da neve, que se chama Faina, não ganhou o meu coração. Desculpa, Eowyn! Na verdade nunca entendi “qual era a dela”, sabe? Não entendi quais eram seus sentimentos e motivações. Já Garret, filho dos vizinhos de Jack e Mabel, é a coisa mais fofa desse mundo e recebeu todo meu amor, assim como seus pais Esther e George.

O livro é narrado em terceira pessoa e temos acesso aos pensamentos de Mabel e Jack, que são os protagonistas, e algumas vezes de Faina e de Garret. Algo interessante é que as conversas são escritas normalmente, com travessão, mas quando é Faina quem fala, quando está presente no capítulo, os travessões somem e fica uma espécie de texto corrido. Isso ajuda a criar uma aura ainda mais sobrenatural para ela.

Temos acesso também às observações do local onde a história passa.  A descrição do Alasca é linda. Várias vezes me peguei olhando no Google paisagens do lugar e mesmo fotos dos animais que citam e eu nem tinha ideia de como eram, como caribus e lagópodes. O Alasca é quase uma pessoa, uma entidade e é onipresente na história, assim como a neve, que se torna basicamente um personagem, com personalidade, ações e sentimentos.

Caso você esteja se perguntando, isso é um caribu

Às vezes o enredo demora a andar e a se destrinchar, mas talvez seja exatamente isso que faça A Menina da Neve ser tão diferente, único e especial. Não é o tipo de leitura “comercial”, ágil, cheia de ação e tiradas bem humoradas, pelo contrário, não é possível rir nem uma única vez. Ele tem uma carga dramática bem grande, apesar de eu não ter chorado.

A Menina da Neve pode te fazer odiar o livro ou amá-lo, mas garanto que você não sairá indiferente desse conto de fadas quase real.

Nada a ver com o assunto, mas não podia deixar de comentar: Vocês perceberam que o nome da autora, Eowyn, é o nome de uma personagem de O Senhor dos Anéis? Esses pais nerds que batizaram a filha com esse nome estão de parabéns. Adorei! Quero uma filha Eowyn também!

Recomendo.

Teca Machado

14 comentários:

  1. GENTE! só pelo nome da autora ser éowyn que é uma das minhas personagens preferidas do LOTR eu já quero ler! hahaha, gostei mt de conhecer o livro, a historia e a autora!! hehe

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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    1. Que bom, Lívia!
      É uma história bem tocante, bem bonita.
      Você vai gostar.
      :)

      Beijooos

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  2. ahh, tenho medo de livros que tem uma narrativa um pouco lenta, mas a capa é mavilhosaaa! e que foto linda!!
    www.byanak.com.br

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    1. É um pouco mais lento, mas é bem diferente e bonito.
      Gostei da ideia e da história.

      Beijooos

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  3. Poxa, eu fiquei super interessada no livro. Eu gosto muito de histórias assim. ^^
    E sem falar também nessa capa, né!? Muito maravilhosa! *-*
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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    1. Essa capa é fora da casinha de tão linda, né?
      *.*
      Que bom que se interessou.

      Beijooos

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  4. Teca, que lindeza essa capa!
    E eu sempre amei contos de fadas, posso dar uma chance para uma história russa.
    Parece ser muito linda!

    Beijos, Meg's Army Book Club

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    1. Oi, meninas!
      Essa capa é de doer o coração de tão linda, né?
      Dá uma chance mesmo. Você vai adorar.

      Beijooos

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  5. Tekitaaaaa
    Quero e quero muito. Vi nuns outros blogs falando sobre esse livro e fiquei encantada!
    Estou curiosa.
    Será que é tipo aquela música "Frosty the Snowman", que com mágica o boneco de neve ganha vida e tals, e aí no verão ele derrete, mas promete para as crianças que vai voltar no Natal que vem?

    Kisses, Lud Arantes

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    1. Oi, Lud queridaaaaa!
      É, pode-se dizer mais ou menos isso, que é do Frosty. Mas também não é.
      Só se você ler que vai descobrir.
      :P
      Hahaha.

      Beijoooos

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  6. Oi, Teca!

    Não fiquei muito interessada nessa história. Estou passando longe de dramas no momento já que estou lotada deles em casa! Hahahahaha

    Mas a história parece muito bonita. Imagino o estigma que esse casal foi obrigado a viver quando percebeu que não poderiam ter filhos. Engraçado como as culturas mudam com o passar dos anos, não é mesmo?!

    E o nome dela foi a primeira coisa que percebi! Hahahahaha
    Eowyn é guerreira! #girlpower

    Vou confessar também que morro de vontade de conhecer o Alaska, mas não acredito que conseguiria viver lá com a temperatura baixa o tempo todo. Hahaha
    Só os fortes sobrevivem. xD

    Bjs

    livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  7. Olá, vc saberia me dizer o nome do conto de fadas que originou o livro?

    Vou procurar p lê-lo...
    Camila

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  8. Estou lendo e amando tem um pouco de realidade mas tb tem dantasia

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  9. Estou lendo e amando tem um pouco de realidade mas tb tem dantasia

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