terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Whiplash: Em Busca da Perfeição – Uma surpresa cinematográfica


A impressão que eu tive ao assistir Whiplash: Em Busca da Perfeição era que a qualquer momento o professor Fletcher (J. K. Simons) ia gritar comigo por estar fazendo barulho ao comer a minha pipoca ou por estar respirando errado. A tensão que ele cria em cena é suficiente para que o público sinta-se tão intimidado e oprimido quanto os alunos que ele tem em seu conservatório. Na sessão que eu fui as pessoas riam da desgraça dos músicos, mas era um riso nervoso, do absurdo da situação, da angústia do momento. O filme é todo sentimento, música, raiva, disciplina, suor e sangue, tudo para alcançar a genialidade. E a produção em si alcança esse patamar.


Roteiro e direção de Damien Chazelle, Whiplash mereceu estar na lista de concorrentes a Melhor Filme do Oscar 2015. Estamos acostumados a nessa categoria ter obras megalomaníacas, com mil efeitos especiais, atores super conhecidos e um orçamento que estoura o limite do aceitável, assim como sua bilheteria, no melhor estilo Avatar e Senhor dos Aneis. Já Whiplash está fora de todas essas categorias e isso é faz dele ainda mais único.

Não há cenas de ação, tiros, salvação do mundo ou diálogos constantes e curtos. Whiplash divide seu tempo entre música e conversas, e essa segunda apenas quando é necessária para o desenrolar da trama. Na verdade, divide seu tempo entre música e os gritos enlouquecidos de J. K. Simons, que concorre de maneira muito justa a Melhor Ator Coadjuvante no Oscar e já levou para casa o Globo de Ouro. O diretor transformou a música no personagem mais importante da trama, ao invés de ser mera trilha sonora. Ela é quase um elemento vivo.



Em Whiplash: Em Busca da Perfeição, Andrew Neyman (Miles Teller) é um aluno do Conservatório Shaffer (Versão fictícia da Julliard, a mais badalada e difícil escola de música americana). Sonhando em ser um dos grandes bateristas, ele é bom no que faz, mas não chega a ser genial. Antissocial, não tem amigos tirando seu pai e tem sérios problemas em se impor ou fazer contato olho a olho com as pessoas. Quando o professor Terence Fletcher (Simons) vê nele uma espécie de potencial musical (ou provável saco de pancadas), chama o garoto para a banda principal do conservatório. E é aí, num ambiente por si só já extremamente competitivo, que começa um método cruel de ensino que só pode ser descrito como abusivo, maníaco, louco, disciplinador e que dá certo ao transformar músicos medíocres em espetaculares, mas também em tensos, depressivos, ansiosos e paranoicos.


Para Fletcher genialidade não é só fruto de talento, é fruto de uma persistência fora dos limites humanos e que para chegar ao brilhantismo é preciso renunciar a tudo, inclusive a si mesmo e a seus relacionamentos, coisa que Andrew faz de bom grado sem pensar duas vezes. O baterista passa a ter mais confiança, a enfrentar as pessoas, a andar de cabeça erguida, mas a custo de todo o resto em sua vida. O questionamento que fica é: Humilhação, severidade, loucura e abusos valem como estímulo para a perfeição? Para Andrew sim, que afirma categoricamente que prefere morrer aos 34 anos, pobre, viciado e como uma lenda da bateria do que aos 90 anos, amado pela família, mas completamente anônimo.


Miles Teller, que é um rosto conhecido do público por ser um dos vilões de Divergente, é um achado do diretor. O ator literalmente dá o seu sangue por Whiplash, se entrega ao papel de modo absurdo. Suas expressões faciais, ou mesmo a falta delas, dão o tom do filme, assim como seus movimentos na bateria, como se as baquetas fossem extensão de si próprio. J. K. Simons é um caso a parte. Incrível é uma maneira de descrevê-lo. Careca, musculoso, na casa dos 50 anos, com camisetas coladinhas e com veias saltando na testa o tempo todo, é o macho alfa em formato de gente, principalmente ao se mostrar ainda mais politicamente incorreto chamando seus alunos de gays e seus derivados menos bondosos a todo instante. O público o odeia, com certeza, mas tem fascinação por ele em seus momentos doces, no melhor estilo bipolar. A química entre Simons e Teller, o estranhamento entre eles com o personagem Andrew se sentindo intimidado sempre, é o que leva o filme.



Whiplash tem uma trilha sonora espetacular, como já era de se esperar de um filme sobre jazz. Digo sem dúvida que me fascinou, principalmente na sequência final.

Recomendo muito.

Teca Machado

36 comentários:

  1. Nossa, que história, hein? Fiquei até com duvida se assisto ou não. Sério, me senti meio oprimido só de ler sua resenha kkkk.

    http://www.pampilho-ordinario.com/

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    1. Eu estou oprimida até agora, hahaha.
      Mas vale muito a pena!

      Beijooos

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  2. Não acredito que ainda não assisti a esse filme. O seu post me deixou curiosíssima para conhecer esse professor e já estou oprimida...rs.

    Beijocas,
    Blog | Youtube | Instagram

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    1. Janaína, é incrível! Corre lá para ver!

      Beijoooos

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  3. nossa que maximo, eu ainda nao tava sabendo desse lançamento e já fiquei doida pra ver

    www.tofucolorido.blogspot.com
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. Caramba, e eu não conhecia esse filme? Pela sua resenha ele deve ser magnifico, quero assistir já, agora! kkkkkkk

    Gostei mesmo, sério, eu estava precisando de indicações de filmes bons e esse veio totalmente a calhar!

    Adorei seu blog e já estou seguindo!

    Se quiser conhecer o meu blog também, só dar uma passadinha no
    Estandy Books - A Estante da Andy

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    1. Andy, que bom que gostou da dica.
      Olha, é um grande concorrente ao Oscar, viu?
      Espero que assista.

      Beijooos

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  5. Teca, que coisa... De doer o coração a cara dos personagens ao sofrer com esse professor. Eu não sei se aguentaria.
    Fiquei bem curiosa para ver o filme.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista. São 4 ganhadores e você escolhe o livro que deseja ganhar.

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    1. De doer mesmo.
      Só depois que eu reparei que todo mundo está com careta, mas o filme todo é assim, hahaha.

      Beijoooos

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  6. Olá!
    Ainda não vi o filme, mas lendo a sua resenha parece que acabei de sair do cinema...hahaha
    Sério...muito boa!

    Mas sério, se eu tivesse um professor que agisse como esse, acho que sairia chorando da aula e nunca mais voltaria...hahaha

    Beijisnhos, Bá.
    http://cafecomlivrosblog.blogspot.com.br

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    1. Bárbara, eu também faria isso.
      Na verdade, acho que eu nem entraria na sala, hahaha.
      Que bom que gostou da resenha.

      Beijoooos

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  7. Não conhecia o filme, e nossa que tenso. Só pelas fotos já imagino como você se sentiu ao fazer barulho com a pipoquinha. hahaha
    Achei diferente o filme, fiquei curiosa para assistir.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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    1. É bem diferente, mas muito bom!
      Não estava preparada psicologicamente, haha.

      Beijoooos

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  8. Oooi,

    Acho que é a segunda vez que ouço algo sobre esse filme e fiquei com vontade de assistir. Acho demais quando o ator se entrega ao personagem dessa forma, fico muito feliz quando isso acontece *-*

    As fotos são demais!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com


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    1. E nesse caso você via que eles se entregaram mesmo.
      É espetacular!

      Beijoooos

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  9. Nossa, não acredito que eu nunca tinha ouvido falar desse filme! Sério vou correr e ver hoje ou amanhã no máximo! HAHAHAH com um professor assim eu ia chorar feitoum bebe todo o dia!

    Beeeijos, http://loveiscolorful.com/netflix-lanca-marco-polo/

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    1. Nossa, eu ia super chorar, hahaha.
      Eu sou muito chorona, não ia dar certo isso.

      Beijoooos

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  10. Ainda não conhecia essa história, mas confesso que fiquei motivada a assistir o filme. Gosto de histórias com música, guitarras, enfim, ainda mais com veracidade e conteúdo. Gostei da indicação e vou assistir, sim.

    http://mundo-restrito.blogspot.com.br

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    1. Esse é diferente e muito real, apesar de não ser baseados em fatos que aconteceram mesmo.

      Beijoooos

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  11. Teca sempre com ótimas indicações! :)

    Bjs

    http://joandersonoliveira.blogspot.com.br/

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    1. Opa!
      Fico feliz que você goste do que eu indico.

      Beijoooos

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  12. Que máximo.
    Adorei a dica, e tô te seguindo de volta.

    http://tudodiferentecomsamaralima.blogspot.com.br/
    Instagram - @samaralima_03

    Já tem post novo ❁

    Um beijooo! ♥

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    1. Que bom que gostou da dica, Samara!

      Beijoooos

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  13. Ainda não conhecia, mas confesso que gosteiii <3
    Beijos
    Se puder dá uma olhadinha no meu vídeo avalia e me diz oque achou ,aqui: http://goo.gl/0hZozO , foi a 1° tag que gravei *-*
    http://ingridegoes.blogspot.com.br/

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    1. Maya, é bem diferente e bom.
      Eu gostei para caramba.

      Beijooos

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  14. Vi esse filme recentemente, é espetacular! Adooooro esse ator, mas ele costuma fazer mais filmes de comédia ou romance, então sua interpretação foi uma surpresa, porque ele se saiu maravilhosamente bem. Aquele professor dá nos nervos de qualquer um, e no final até dá pra entender seu motivo, mas será que não existiam mesmo outras formas de incentivar os alunos..?

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br
    Tem tag nova de Cachorros Literários no blog, vem ver!

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    1. Exatamente. Isso que eu pensei.
      Mas bom demais, né?
      Foi uma surpresa para mim, não esperava tanto do filme.

      Beijoooos

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  15. Nossa que maximo, não sabia desse lançamento, já anotei aqui pra conferir depois.

    http://thayanepontes.blogspot.com.br/

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  16. Teca, ainda não sabia desse filme. Parece tenso mesmo, mas que vale a pena! Vou anotar na minha listinha para assistir. E essa foto da bateria deu um nervoso hehehe!
    Beijocas,
    Carol
    www.pequenajornalista.com.br

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    1. Carol, o filme todo dá um nervoso, hehe.
      :D

      Beijooos

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  17. Adorei seu blog <3

    http://livremt.blogspot.com.br/

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  18. Quero muito assistir esse filme, tinha até esquecido dele, MEU DEUS!
    Bjim,
    Tammy
    LivreandoFacebook

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    1. Tammy, e passou tanto o trailer dele, né?
      Não deixe de assistir!

      Beijoooos

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