sexta-feira, 12 de maio de 2017

Girlboss: Ótima série com uma protagonista detestável


Você pode até não gostar de Sophia (Britt Robertson), mas pode gostar da série Girlboss, um dos últimos lançamentos da Netflix. O roteiro nem mesmo nos força a gostar da personagem. Ela é o que é e se quisermos nos relacionar com ela, ótimo. Girlboss é baseado (muito livremente, como dizem no início da cada episódio) na vida de Sophia Amoruso, empresária criadora da marca Nasty Gal, que fez fortuna no eBay ao vender roupas vintage até formar um império.


Sophia é o que há de pior na geração conhecida como millennial: Egoísta, com síndrome de Peter Pan, mimada, impulsiva e que tem certeza que o mundo deve se adequar a ela, não o contrário. Isso e o fato de ser uma mal agradecida, grossa e com uma leve mania de roubar coisas (tapetes, livros, árvores de Natal...), faz com que muitos espectadores a odeiem. Mas se tem uma característica que ela não apresenta é ser preguiçosa. Realmente, ela não para em emprego nenhum, mas só porque ainda não encontrou aquele que faz seus olhos brilharem. E quando o encontra, ela dá duro para chegar onde quer. E em meio a sua ascensão, conhecemos seus defeitos, inseguranças e problemas ao ponto de até mesmo torcermos por ela e simpatizar em alguns momentos (mas só em alguns).



Girlboss começa com uma Sophia sem rumo, sem emprego mais uma vez e com pavor de se tornar adulta, porque, afinal, como ela mesma diz “adulthood is where dreams go to die”. Some a isso o fato de ela ser jovem e ser mulher, então é realmente subestimada a todo tempo. Até que ao garimpar roupas no eBay em 2006, ela tem uma ideia: vender uma jaqueta vintage que comprou por uma mixaria, mas fazer uma produção de foto. E ela consegue muito dinheiro na peça. Começa aí o que viria a se tornar o império da Nasty Gal.


A jaqueta que deu início a tudo

Girlboss tem vários acertos (não esperaríamos menos de você, Netflix). A começar pela própria Brit Robertson. Ela é meio detestável, mas faz isso com muito humor. Sua Sophia é quase caricata, mas podemos enxergar toda vulnerabilidade que há ali. É interessante como a produção optou por criar uma protagonista com quem o público não se relaciona (isso fica a cargo dos coadjuvantes). Geralmente os principais são pessoas passivas, doces e que aceitam o que a vida as manda – e isso muitas vez nos faz detestar esses personagens, não é mesmo? Direto eu tenho birra com mocinhos. Mas Sophia não. Sophia não aceita menos do que acha merecer.

E o elenco de apoio é uma lindeza que só, com a maior coadjuvante que você respeita: Ellie Reed, no papel de Annie, a melhor amiga de Sophia. A personagem tem tudo o que gostaríamos na nossa BFF: engraçada, louca, carinhosa, companheira e extremamente divertida, ainda que a voz da consciência de Sophia. Sem Ellie Reed Girlboss não teria todo o charme. E também podemos desatacar Johnny Simmons, como Shane, o namorado de Sophia, Alphonso McAuley, no papel de Dax, namorado de Annie, e RuPaul interpretando o vizinho da protagonista.



Assistir Girlboss dá um gostinho de nostalgia, apesar de que se passa logo ali, em 2006. Temos a impressão, por causa das cores e das roupas de Sophia, que estamos lá nos anos 1970, talvez. E por falar nas roupas, o figurino é delicioso, como deveria ser numa série em que se fala de moda vintage. E essa nostalgia é ainda mais acentuada com referências ao mundo pop, como quando os personagens assistem The O.C. na cena em que Marissa morre ou quando Annie fala sobre como quer ajudar a Britney Spears após o famigerado colapso com o guarda-chuva.

Sobre a morte de Marisa em The O.C.

Outro ponto muito bom é a trilha sonora. Cada episódio tem uma faixa que condiz com os humores, as situações e os cenários. É quase um personagem em si. Impossível não prestar atenção.

O timing de comédia da série é bom. E ela sabe quando deve fazer rir e quando deve focar na emoção e no drama. Dei algumas risadas, apesar de que o objetivo de Girlboss nunca foi ser uma sitcom de comédia bobinha. Só pondero que talvez alguns conflitos tenham se resolvido de forma muito rápida, quase orgânica demais. Dava para trabalhar melhor o roteiro nesse aspecto.



De certa forma, Girlboss é uma série de empoderamento e empreendedorismo, sobre uma mulher que mesmo altamente subestimada não deixou ninguém a diminuir. Mostrou que a gente pode até ter que trabalhar mais do que os homens para mostrar o nosso valor, mas que isso só vai nos diminuir se nós mesmas deixarmos.

E se você desistir da série no primeiro episódio por causa de Sophia e seus ataques de criancice, por favor, persevere. Não digo que a personagem vai melhorar (ainda que ela dê uma certa amadurecida), mas vale a pena.

Recomendo bastante.

Teca Machado


9 comentários:

  1. Nossa, é a primeira resenha positiva que vejo da série, tava todo mundo odiando e xingando horrores. Fiquei até com vontade de assistir, confesso :D


    Beijos
    Brilho de Aluguel

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    1. Bom, eu gostei, mesmo odiando a Sophia, então deu para assistir bem, haha.

      Beijooos

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  2. eu assisti e a questão dela ter sido bem visionária e empreendedora é msm mt bacana, de ver como funciona o mercado de brecho nos EUA que é bem diferente daqui; mas a personagem principal é uma escrota, menina bem insuportavel que achei mt dificil criar empatia.... enfim, fiquei com vontade de ler o livro

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    1. Sim, ela é insuportável, mas eu gostei da série, de ela ser visionária.
      Eu também fiquei com vontade de ler o livro.

      Beijooos

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  3. Oi, Teca!!!

    Eu não tinha muita vontade de ver esse filme e na verdade ainda não tenho muito. Crio birra com protagonistas insuportáveis e é difícil continuar vendo... Hahahahaha

    Vou tentar porque a história em si parece muito boa, mas não sei se vou conseguir ver todos os episódios como você. Hehehehe

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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    1. Então nem tenta ver porque você vai odiar, porque ela é muito insuportável. Muito.
      Hahahaha.

      Beijooos

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  4. Oi, Teca!!!

    Eu não tinha muita vontade de ver esse filme e na verdade ainda não tenho muito. Crio birra com protagonistas insuportáveis e é difícil continuar vendo... Hahahahaha

    Vou tentar porque a história em si parece muito boa, mas não sei se vou conseguir ver todos os episódios como você. Hehehehe

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  5. Teca, adorei tudo o que escreveu! É tudo o que senti assistindo a série. Ela é incrível, mas eu queria bater na Sophia em VÁRIOS momentos. Mas a cena da ponte, coitada, temos que dar um crédito, né?
    Eu comecei a ler o livro há uns dias, depois de ter maratonado a série, e estou sentindo falta da Annie! De fato há muita coisa da série que está no livro, mas fica bem claro que foram adaptados BEM livremente hahahaha
    Poderíamos dizer que livro e série são completamente diferentes se não fossem por algumas cenas icônicas. Adoro os dois, mas de uma forma diferente.

    Beijos
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    1. Na verdade eu quis socar ela quase todo o tempo, hahahaha.
      A cena da ponte foi sensacional!
      Jura que não tem a Annie no livro?
      :(
      Poxa, perdeu a graça!

      Beijooos

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