segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Uma tragédia quase sem fim – Os Miseráveis


Pode-se dizer que o filme Os Miseráveis tem o título perfeito, já que é uma desgraça sem fim e mostra como os franceses viviam miseravelmente na época da Revolução Francesa. O povo passava fome, os ricos pouco se importavam, a luta não parecia estar levando a lugar nenhum e havia batalhas nas ruas de Paris. É uma história de tragédias, desgraças, redenção, sacrifícios, sonhos perdidos e amor incondicional. 


Os Miseráveis foi escrito por Victor Hugo em 1862 e mostra a trajetória de Jean Valjean (Excelentemente bem interpretado por Hugh Jackman, que mesmo caracterizado todo feio é de um charme de derreter corações, haha). Quando jovem, foi preso pelo roubo de um pão para alimentar o filho da irmã. Passados 19 anos cumprindo a sua pena, ele é liberto. Como a vida de um ex presidiário naquela época era pior do que a de presidiário, o  protagonista resolve quebrar a sua liberdade condicional e assumir outra identidade, para desespero do seu algoz, o Inspertor Javert (Russell Crowe, com mais cara de mal do que nunca).

Jean Valjean quando ainda era prisioneiro.

Com a ajuda de um padre, que salvou a sua alma e a sua liberdade em um episódio de recaída a vida de crimes, Jean Valjean se torna um homem rico, próspero e solitário. Uma das suas funcionárias, Fantine (Anne Hathaway , numa das melhores interpretações da sua vida, desprovida de toda e qualquer vaidade) perde o emprego por causa da indiferença de Jean e precisa de prostituir para cuidar da filha Cosette (Quando criança, a gracinha da Isabelle Allen e quando jovem a linda da Amanda Seyfried). Após sentir muita culpa pela desgraça da moça,  Jean resgata Fantine e promete cuidar da menina Cossete como se fosse sua filha, tudo isso enquanto escapa do Inspetor Javert.

Fantine antes de ser despedida (E ainda de quase ficar careca).

Quando Cosette vira jovem, a Revolução Francesa está no seu auge e os revolucionários estão pegando fogo e incitando o povo a participar. Cosette se apaixona loucamente por Marius (Eddie Redmayne), um jovem que abandonou a família rica para se juntar à luta. Jean precisa ajudar o casal a ficar junto e faz de tudo pela filha postiça.

Jean Valjean já rico e com outra identidade.

Os Miseráveis é totalmente e absolutamente cantado. São quase 3 horas de música ininterrupta, o que cansa até mesmo o maior amante de musicais (Eu, no caso). Não há um único dialogo que não seja em melodia. Apesar de chegar a ser enjoado, acarreta alguns momento muito bonitos, como quando Anne Hathaway canta I Dreamed a Dream e os revolucionários cantam Do You Hear The People Sing?. O interessante é que os próprios atores cantaram e ao vivo, sem gravar no estúdio previamente. Isso fez com que houvesse algumas desafinadas e desentoadas, mas sempre por causa da carga de emoção da cena, não por falta de talento. Deu uma humanizada numa produção tão artística.

Jean ao resgatar Fantine.

Os Miseráveis é muito bom, mas acredito que os não-amantes de musicais e de dramas vão torcer o nariz. Só que mesmo assim vale a pena assistir, porque querendo ou não é um clássico e foi extremamente bem feito. Do cenário ao figurino, as atuações excepcionais, direção impecável: Tudo fez com que realmente fosse um fortíssimo candidato ao Oscar.

Cosette e Marius.

A carga de tragédias é aliviada pelo ótimo timing cômico de Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter, no papel de Thénardies e sua esposa. Eles são esquisitos e engraçados, como sempre. Ressalva também para a interpretação de Aaron Tveit (Gatchenho!), na pele do revolucionário Enjolras, e o garoto Daniel Huttlestone, que dá a vida a Gavroche, um menino de rua também a favor da revolução do povo.

O alívio cômico do filme.

Curiosidade: Os Miseráveis foi o filme que fez Anne Hathaway cortar o cabelo quase máquina zero. Na cena quando isso acontece, ela disse que chorou de verdade porque é quase uma maldade fazer isso com uma mulher. Ela adiou o seu casamento em mais de um ano porque não quis ser uma noiva de cabelo curto. Bem fez ela.

O revolucionário Enjolras

Mesmo com tanta musica, longas horas, tragédias sem fim e uma incômoda sensação de impotência depois de sair do cinema, recomendo Os Miseráveis. Gostei muito do filme e acredito que mereça as indicações do Oscar.

Teca Machado

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