quarta-feira, 12 de março de 2014

Filme igual, mas completamente diferente de tudo: A Mentira


Os filmes que se passam em escolas americanas de ensino médio são tantos que às vezes a gente tem a impressão de que são todos iguais e que os enredos são extremamente parecidos. A garota bonitinha que não se encaixa em nenhum grupo, a malvada que é rainha do colégio, o bonitão jogador de futebol. A Mentira, produção de 2010 do diretor Will Gluck, tem tudo isso, é verdade, mas é bem diferente de tudo o que você já viu nesse sentido.


A começar pela protagonista, a sempre excelente Emma Stone. Eu acho que gostei de todos os filmes que já assisti com ela, sendo os preferidos esse e Amor A Toda Prova. Ela é irreverente, sarcástica e engraçada. A atriz me passa a impressão de estar sempre se divertindo nos papeis que faz e que ela é assim na vida real. E apesar da leveza com quem leva tudo ainda dá para perceber a seriedade em como trabalha. Tanto que em momentos cômicos ela é ótima, mas em momentos dramáticos é mais ainda. Fora que é linda e ganhou o prêmio de Melhor Comediante do MTV Movie Awards com esse filme, que também foi eleito como Melhor Comédia do Ano no Critics’ Choice Awards.

Quando a personagem ainda era "invisível"

Em A Mentira vemos Olive (Stone) passar de invisível para a piriguete da escola. Antes ninguém a enxergava, mas também não sofria bullying, então estava tranquila seguindo a sua vida. Quando a sua única amiga Rhiannon (Aly Michalka) está contando sobre um encontro, Olive não quer ficar para trás e inventa sobre como também se encontrou com um cara mais velho e dormiu com ele. A beata princesa da escola Marianne (Amanda Bynes) escuta e espalha a história, fazendo com que todos da escola comecem a falar mal da sua reputação.

Marianne, a beata, e Olive, a supostamente pervertida

Então, Brandon (Dan Byrd), um amigo de Olive, pede para ela um favor. Ele é gay enrustido e não quer que as pessoas saibam, apesar de muitos comentarem o fato. Brandon quer que Olive finja que dormiu com ele para realçar a sua masculinidade, afinal, ela já está com má fama mesmo. O plano dá certo e a garota vai ficando cada vez mais falada. Só que depois disso, os gordinhos, os geeks, os esquisitos e os excluídos chegam a Olive pedindo o mesmo que Brandon e ela entra na personagem de piriguete sensual enquanto os homens babam e as outras garotas criticam, mesmo a invejando secretamente.

Entrando na personagem

Tendo como plano de fundo o romance A Letra Escarlate, de Nathaniel Howthorne (Uma mulher que cometeu adultério e precisou andar pela cidade com uma letra A vermelha grudada em suas roupas como um estigma), A Mentira te envolve e faz você rir muito. Apesar do bom humor do filme, ele traz algumas reflexões, o que é feito de forma inteligente e sem querer ficar dando lição de moral no espectador. Com diálogos inteligentes, a produção tem referências a clássicos da Sessão da Tarde, como Curtindo A Vida Adoidado e O Clube dos Cinco.

Casal

O elenco é excelente. Um destaque para os pais de Olive, interpretados por Stanley Tucci e Patricia Clarkson, que são insanos, e para Thomas Haden Church, o professor preferido de Olive, e Lisa Kudrow, sua esposa. Temos também um mocinho, é claro, Penn Badgley, o Dan de Gossip Girl. Mas nesse filme até o amor entre garoto e garota é diferente, nada meloso.

A de A Letra Escarlate

Não deixe de assistir a cena em que Olive canta e dança loucamente a música Pocketful of Sunshine, de Natasha Bedingfield. É impagável.

A Mentira é o tipo de filme que eu gosto de assistir repetidas vezes e sempre que está passando na televisão.

Recomendo muito.


Teca Machado 

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