segunda-feira, 17 de março de 2014

Murphy tinha razão: Desventuras em Miami


Há uns dias a Iara Vilela, nossa colunista de viagens, postou no blog dela, o Com os Erros Aprendi, esse texto meu sobre uma das maiores furadas numa viagem que eu já vi nada vida. Mesmo ela tendo colocado no dela, achei que seria legal colocar aqui, porque a história é tão absurda que parece ficção. Aliás, nem a minha imaginação fértil bolaria algo assim:

Sabe o Murphy? Aquele sujeitinho cretino que dizia que se algo pode dar errado, vai dar errado? Pois é, ele tinha razão. 

Então, senta que lá vem história!

Em julho de 2010, altíssimo verão americano, a família do meu namorado Caio me chamou para ir com eles para Miami e para Orlando. Faltavam só dois meses para a viagem, mas eu e o Caio milagrosamente encontramos passagens de ida e volta por R$ 1.500 pela Copa Airlines. Ficamos nos achando as últimas bolachas do pacote por causa do preço maravilhoso.

Durante 14 dias aproveitamos os passeios, tomamos muito sol, visitamos vários parques da Disney e gastamos dinheiro a rodo fazendo compras naquele paraíso do consumo. Foi lindo. Até o dia da volta.

Miami toda linda e ensolarada

Nosso avião saía de Miami às 19h e alguma coisa. Naquele dia estávamos em Orlando ainda, mas como era uma viagem de carro de três, quatro horas no máximo até Miami, saímos de manhã. 

Erro nº1: Parar para tomar café da manhã.

Ficamos na lojinha de conveniência cerca de 40 minutos, afinal, tínhamos tempo de sobra.

Erro nº2: Comer na lojinha de conveniência.

Meu namorado era o motorista e ele passou mal com alguma coisa que comeu. Um tempinho depois que estávamos na estrada tivemos que parar para ele se recuperar. Mais uma hora perdida.

No Magic Kingdom, quando Murphy não tinha sido um malandrinho com a gente

Erro nº3: Ultrapassar o limite de velocidade (Não faça isso, por mais que aquelas estradas sejam maravilhosas e praticamente digam “Vem! Pisa no acelerador! Eu não tenho buracos e sou retinha. Tenho certeza que você vai praticamente voar”).

Tomamos uma multa digna de cinema na ida para Orlando, com carro de polícia perseguindo e sirenes ligadas. O melhor foi o Caio tentando se explicar para o guarda: “Eu não sou daqui”. E o policial respondeu na lata “No Brasil não existem limites de velocidade?”. Ai. Nos Estados Unidos é preciso pagar numa corte na cidade onde você tomou a multa e se não fizéssemos isso, era possível que o passaporte do meu namorado ficasse com problemas. Então na volta paramos para pagar a multa. Estava cheio o local e perdemos umas duas horas.

Ok, ainda tínhamos muito tempo e estávamos apenas a uns 40 quilômetros do aeroporto. Até que aconteceu o maior imprevisto do mundo.

Erro nº 4: Confiar na meteorologia.

Eis que o Furacão Emily (Eu NUNCA vou esquecer o nome dessa porcaria de furacão!) resolveu atacar impiedosamente a América Central. Ele não chegou até a Flórida, mas as suas tempestades tropicais sim. E chegaram bem na hora que nós precisávamos estar no aeroporto. O dia de repente ficou noite. Chovia como eu nunca tinha visto na vida. A única coisa que a gente enxergava dos carros da frente eram os faróis e luzes de freios. Ficamos parados na rodovia horas enquanto caia o maior dilúvio desde a época de Noé. 

O desespero bateu porque o cronograma apertou, mas pensamos que se estava chovendo tanto, provavelmente o aeroporto tinha fechado. Mas nããããão, Murphy nos pregou mais uma peça e fez com que na região do aeroporto não caísse nem uma gotinha de chuva.

Essa é a chuva quando já estava 90% melhor 

Erro nº5: Ter feito check in on line.

Depois de passar a chuva, entregar o carro alugado na locadora e pegar uma van até o saguão do aeroporto, perdemos o voo. Faltava meia hora para o voo, mas, adivinhem! Voos internacionais fecham as portas 40 minutos antes da decolagem. Como tínhamos feito check in on line, perdemos a passagem. Não dava para remarcar, a solução era comprar outra. Em plena alta temporada. Em cima da hora. Tendo gasto todo o dinheiro da conta bancária.

A Copa Airlines já tinha fechado o balcão de atendimento e uma funcionária de muito mau humor por ter sido interceptada por nós pouco antes de ir embora disse que só tinha passagem para o Brasil daí duas semanas ao preço de U$ 3.000. Não, obrigada.

(Nesse momento meu namorado tentava resolver a situação e eu estava sentada no chão do aeroporto – Naquele país não tem cadeira em saguão de aeroporto, sabe-se lá porque –, rodeada por umas seis malas, sendo a cara da derrota)

Na frente do guichê da Tam tinha gente acampada por causa de overbooking. Passagens só para dali 10 dias no preço de U$ 3.000 e tantos dólares. Não, obrigada.

(Nesse ponto eu já estava chorando. “Eu quero a minha casaaaaaaa”. Ai, ai, tão madura!)

Até que o Caio viu um atendente da Delta Airlines falando em português e pediu ajuda para ele. O carioca Marcelo (Nunca vou esquecer o nome daquele anjo!) conseguiu o melhor negócio para a gente: Passagens de volta para dali três dias por U$ 1.700. À vista. 

Ai! Doeu o bolso, ainda mais porque as passagens originais tinham sido tão baratas. Mas, fazer o que? A gente não tinha outra opção. Peguei o cartão de crédito do papai (Só para emergências) e paguei. Enquanto isso, o Marcelo falava “Se a vida te deu limõessssss (Leia com sotaque carioca), faça limonadasssssss”. Limonada mais cara da vida.

Bom, a família do Caio que viajou com a gente tinha conseguido ir embora. Mas a família por parte de mãe por coincidência estava lá em Miami, então fomos aproveitar os dias restantes com eles e com um casal de amigos que também estava na cidade (Oi, Rê! Oi, Kaká!). E foram ótimos! Nos divertimos muito (Tirando a parte de eu estar sem dinheiro e a Visa ter bloqueado o cartão porque a conta foi alta e eles acharam que tinha sido clonado. Meu pai ligou lá e desbloqueou para que eu pudesse comer, haha).

No dia do voo de volta, fomos para o aeroporto com umas seis horas de antecedência. Chegando lá, não conseguíamos fazer o check in de jeito nenhum. Dizia que era muito tempo antes. Até que um atendente nos disse que o Marcelo tinha dito que era naquele dia, mas marcou na passagem o dia seguinte. AAAAI, MEEEEEU DEEEEEEUS! Eu nunca mais ia conseguir sair dos Estados Unidos???? Meu namorado brigou e mudaram a gente para o voo daquele dia mesmo, só que mais tarde.

Os EUA bem que tentaram ficar com a gente para eles, mas nós conseguimos voltar para casa. Tchau, aeroporto!

Felizinhos, quase indo para a sala de embarque, eis que surge o Marcelo pedindo desculpas pela confusão. Quando olhou a nossa passagem, viu que o voo marcado era um que sempre atrasava. Então, provavelmente íamos perder a conexão e passar a noite no aeroporto de Atlanta. Ele trocou por outro voo e finalmente embarcamos. Nesse ponto eu poderia ficar aliviada, mas Murphy tinha tantas cartas na manga que eu só ia acreditar quando saísse da fronteira!

Ficamos três horas em Atlanta na conexão. De lá para Brasília uma senhora muito MUITO muito chata sentou do nosso lado e nos incomodou a noite toda. Me contou todas as amarguras do filho sendo deixado pela esposa e às 5h da manhã me acordou porque queria que eu visse como o amanhecer estava bonito.

Depois de muito sufoco, chegamos. Eu não conseguia acreditar. Estava de volta ao Brasil. Eu quase beijei o chão quando desci do avião.

Hoje eu conto essa história morrendo de rir das nossas burrices e dos infortúnios que não foram culpa nossa, mas se tem uma coisa que eu realmente aprendi foi: Murphy sempre tem razão.

Teca Machado 

Um comentário:

  1. Teca.... kkkk ótima história, nem imagino o que é perde um voo fora do Brasil, deve ser desesperador, mas é bem o titulo do blog da sua amiga "com os erros aprendi"... eu já perdi uma vez em guarulhos (onde os portões mudam mais que a gente troca de roupa)... hoje em dia, não perco nunca mais!!! Kkkkk fiquei MEGA ESPERTA!!! ... acho q a mesma coisa com vc né :P ... uma vez q erramos, se estiver no nosso poder, NUNCA MAIS acontece de novo kkkkkkk

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