segunda-feira, 28 de abril de 2014

A Garota Que Você Deixou Para Trás: Sobre guerra, arte, otimismo e amor


Jojo Moyes já tinha ganhado o meu coração no final do ano passado com o livro Como Eu Era Antes de Você (Comentei aqui). Então, é claro que eu fiquei doida para ler outras obras da autora. A da vez foi A Garota Que Você Deixou Para Trás, que peguei em parceria com a Livraria Janina, e posso dizer que ela manteve o mesmo alto nível da publicação anterior. O meu próximo dela será A Última Carta de Amor, que me disseram também ser maravilhoso.


Apesar do nome típico de mais um romance água com açúcar, A Garota Que Você Deixou Para Trás tem um tema muito sensível: A I Guerra Mundial. Em 1917, Sophie Lefèvre vive em St. Perrone, no interior da França, com os irmãos e os sobrinhos, enquanto o marido Édouard e o cunhado estão lutando no front. A ocupação alemã já chegou à cidade e todos sofrem com a escassez de alimentos e de liberdade. Uma das poucas coisas no mundo que ainda deixam Sophie feliz é o quadro de si mesma que o marido, um artista que estudou com Matisse, fez e deixou como recordação chamado A Garota Que Você Deixou Para Trás.

Sophie e a irmã cuidam do Le Coq Rouge, um bar que é obrigado pelos alemães a cozinhar para os soldados. Virando alvo de especulação e desconfiança da cidade, as mulheres passam a viver próximas dos inimigos. O Kommandant alemão se interessa por Sophie e pelo quadro e nasce algo parecido com amizade em tempos de guerra. Desesperada para trazer o marido de volta, Sophie entra numa complicada trama que envolve o quadro e seus princípios.

Então a história pula para 2006, quando a jovem viúva Liv Halston, atual dona de A Garota Que Você Deixou Para Trás, tenta superar a morte precoce do marido. Ao conhecer Paul McCafferty num momento particularmente difícil, começa um processo de restituição de espólios de guerra em que o seu tão adorado quadro pode ser tomado. Mais do que manter a pintura consigo, Liv deseja saber o que aconteceu com a moça de sorriso enigmático que deu origem a obra de arte e vai descobrindo que a vida de Sophie foi mais complicada do que pareceu no primeiro momento. As duas histórias se cruzam de uma maneira fantástica.

Jojo Moyes

A primeira parte do livro é narrada em primeira pessoa por Sophie, o que é ótimo, já que temos em “primeira mão” as suas impressões da guerra. Certos trechos nos dão aquele aperto no peito ao pensar nos horrores que esses conflitos geraram. Logo de cara já gostamos de Sophie pela sua garra, vontade de superar obstáculos e pensamento rápido (Destaque para a cena que envolve um porco disfarçado de bebê), e torcemos loucamente por um final feliz para ela e para a sua pintura.

A segunda parte, que fala de Liv, está em terceira pessoa. É muito boa também, mas Liv não nos desperta a empatia que Sophie traz. Não que eu não goste dela, mas achei a Sophie melhor. O desenrolar do romance dela com Paul certas vezes é superficial, mas é preciso lembrar que o principal da história é a disputa e o destino da pintura, não o casal.

A Garota Que Você Deixou Para Trás tem reviravoltas, mistério, drama de guerra e situações inesperadas, tudo isso escrito de uma forma sensível, gentil e ao mesmo tempo sincera.

Gostei da capa, que segue muito o estilo de Como Eu Era Antes de Você. Condiz muito bem com a história. O que eu queria mesmo é ver uma “imagem” do tão falado quadro A Garota Que Você Deixou Para Trás.

Quer ler o livro? Tem aqui para comprar na Livraria Janina.

Recomendo.

Teca Machado

P.S.: Estou tão atribulada e avoada com trabalho que escrevi várias vezes no texto A Garota Que Eu Era Antes De Você, haha. Antes bem que eu sempre reviso meus textos e arrumei. #aloka

Um comentário:

  1. Acabei de terminar a leitura e estou fascinada! Como pode a autora ter a capacidade de nos envolver tanto com a história a ponto de querermos ver o quadro? Já saí pesquisando sobre a cidade onde tudo "aconteceu" e já levou a descobrir sobre outras curiosidades da Primeira Guerra Mundial.. rsrs e por aí vai.
    O mais interessante é que o livro faz nós sentirmos o mesmo que a Liv sente. O desejo de saber o que acontece com Sophie e também de que haja "justiça" em seu nome...
    Já estou ansiosa para ler mais um livro da JoJo
    Amei!

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