sexta-feira, 14 de julho de 2017

Restos Humanos – Thriller psicológico


Quando li No Escuro, de Elizabeth Haynes, publicado pela Editora Intrínseca (comentei aqui) achei que esse era um dos suspenses mais incríveis que já tinham passado pelas minhas mãos, com um terror psicológico de enlouquecer. Claramente fiquei interessada por outros livros da autora e assim acabei comprando Restos Humanos, que tem um premissa super interessante. Apesar de ser um livro muito bom, ele não chega aos pés do anterior, que é realmente apavorante em certos aspectos.


Em Restos Humanos, Annabel é uma analista da polícia que descobre o corpo da sua vizinha em decomposição. Horrorizada por não ter sentido falta dela e pesquisando sobre o caso, Annabel descobre que nos últimos anos, o número de corpos encontrados putrefatos no seu distrito subiu assustadoramente, mas ninguém realmente dá atenção ao assunto, já que autópsias apontaram que todos morreram de causas naturais e absolutamente ninguém notou os desaparecimentos. Será que se você morresse alguém sentiria sua falta? Como ir atrás de um serial killer que não mata realmente ninguém?

Elizabeth Haynes foi bem ousada na maneira de mostrar seus personagens, pois ela dá voz ao vilão. Desde o comecinho fica bem claro que Colin, um dos narradores do livro, é o assassino – fiquem tranquilos, isso não é spoiler - mas a autora só mostra aos poucos como ele faz suas vítimas, como ele brinca com as mentes fragilizadas e, confesso, foi genial. Eu nunca tinha visto um antagonista que trabalhasse desse jeito.

Elizabeth Haynes
Um dos maiores problemas do livro são as personalidades dos protagonistas. Annabel é apática, insossa, sem vida e com seríssimos problemas de sociabilidade. Apesar de isso fazer parte da construção da sua personalidade e ser um aspecto importantíssimo do livro, faz com que o leitor também se sinta apático em relação a ela. Colin é mais interessante, ainda que asqueroso. Não é aquele vilão pelo qual o leitor se apaixona, mas nos faz ter repulsa pela sua pessoa e pelos seus atos. Não há tanta motivação para ele ser quem é, não há uma construção tão incrível de Colin, mas fica claro como é doentio. E as descrições do que ele gosta... minha nossa, são realmente nauseantes.

Os capítulos de Restos Humanos são alternados entre Annabel, Colin e matérias de jornais sobre as vítimas encontradas e as suas histórias contadas por si próprias. E é engraçado como os capítulos sobre as pessoas mortas serem até mais interessantes do que os de Annabel e de Colin. Cada história triste, cada vida perdida e problemática. A autora soube criar sentido para cada uma dessas pessoas a ponto do leitor se importar com elas, muito mais do que se importa com Annabel. E há também Sam, o charmoso e doce jornalista que investiga o caso que apesar de aparecer com grande frequência não tem tanto desenvolvimento.

Algo comum em thriller policiais acaba acontecendo em Restos Humanos: o meio do livro enrolado. Chega uma hora que a história não avança. Talvez nesse caso isso aconteça porque desde o começo nós sabemos quem é o vilão e descobrimos até rápido como ele age, então não há realmente um mistério com reviravolta enorme. Apenas o trecho final é uma corrida alucinada contra o tempo quando Annabel resolve tomar as rédeas da própria vida.

A maneira como Elizabeth Haynes trabalha a fragilidade humana, a solidão, o afastamento de outras pessoas é incrível, de uma profundidade incrível. As relações – ou a falta delas – são o foco aqui e é impossível que ao final o leitor não se questione: Se eu sumir, será que sentirão minha falta?

Recomendo.

Teca Machado


8 comentários:

  1. Oi, Teca!
    Protagonistas apáticos me prejudicam demais a leitura. O bom é que tem um vilão que nos provoca sentimentos. Adoro vilões assim: que me fazem odiar com gosto.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do Sorteio de Férias: cinco livros, um ganhador!

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  2. Nunca li esse livro, pois também não faz muito meu estilo. Mas gosto desse tipo de história que nos faz questionarmos sobre alguma coisa..

    www.vivendosentimentos.com.br

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  3. Oi Teca, não conhecia o livro, mas a questão da personalidade dos personagens e a enrolação me deixa um pouco preocupada. De qualquer forma, adorei a resenha!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Oi Teca,
    Estou querendo diversificar os gêneros literários, então é claro que esse livro poderia fazer parte da minha lista de desejados, mesmo com a enrolação, rs.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  5. OOOOOI BISTEQUINHA

    esse livro é muito booooooom!
    eu comprei ele numa dessas promoções lokas a apenas DEZ REAIS e não me arrependi nem um pouquinho.
    Como você disse, tm uma hora que o negócio fica meio enrolado e não anda muito, mas confesso que eu fiquei super curiosa pra saber como que o Colin conseguia instigar as vítimas e olha... tenso. Esse livro realmente me deixou tensa, ainda mais pelas descrições tão detalhistas dos estados das vítimas e dos corpos... ai ai. Quero reler essa belezinha!

    beijo
    www.beinghellz.com.br

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  6. Oi, Teca! As vezes alguns livros não valem tanto a pena pelos personagens, mas o enredo e premissa salvam. Pelo que entendi, esse foi o caso desse. Apesar da minha praia ser chick-lit, eu adoro me aventurar em uns suspenses da vida. Foi muito bom saber o seu ponto de vista dessa história e conhecer a autora.

    Beijos
    Psicose da Nina | Instagram
    Colunista no Estante Diagonal

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  7. Oi, Teca!!

    Gostei da sua resenha, achei interessante, mas não é um livro que eu leria no momento. Estou necessitando de histórias com finais felizes!! Hahahahahaha
    Vou tentar pegar uma em breve! xD

    Bjs!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  8. Oie!
    Nossa, não conhecia a premissa desse livro e ele parece incrível, além da capa maravilhosa né. Adoro thriller e esse parece um daqueles que prende, apesar do pouco que empaca na metade, fiquei bem curiosa para conferir. Ótima resenha!

    http://www.leitorasvorazes.com.br/

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