terça-feira, 25 de julho de 2017

Toda Luz Que Não Podemos Ver – Vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2015


O que costumamos ver em filmes, séries, livros ou mesmo na História em geral é como os nazistas e alemães eram vilões cruéis durante a II Guerra Mundial. Mas será que todos eles eram mesmo? Toda Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr, publicado pela Editora Intrínseca, é um livro que desmistifica um pouco disso. É uma obra delicada, doce, bonita, crua e muito real que vai dar nós e mais nós na sua garganta e, quem sabe, fazer escorrer algumas lágrimas.


Várias histórias são contadas, mas as principais são de Marie-Laure e Werner, dois jovens que crescem em meio à guerra, que molda suas personalidades e ações. Marie-Laure é uma garota francesa que ficou cega aos 6 anos. Mas isso nunca foi empecilho para ela, pois seu pai, o chaveiro-mestre do Museu de História Natural de Paris, fez com que não tivesse medo do mundo ao construir uma maquete do seu bairro. Werner é um órfão alemão extremamente curioso e inteligente que aprendeu sozinho a consertar rádios e outras ferramentas que usam a Física, o que chamou a atenção dos generais nazistas.

Quando a França é invadida pela Alemanha, Marie-Laure e o pai, que está a serviço do museu carregando a peça mais preciosa – e amaldiçoada, fogem para Saint Malo, uma cidade litorânea, para a casa do tio Etienne, um soldado da I Guerra Mundial que ficou traumatizado e tem fobia de sair de casa. Já Werner é obrigado a se envolver em assuntos da guerra, pois ninguém sabe encontrar rádios clandestinos como ele.

A cidade de Saint Malo

Toda Luz Que Não Podemos Ver acompanha esses dois personagens tão diferentes, mas que passam por tristezas enormes devido à batalha que cada vez mais se aproxima do ápice. Marie-Laure luta pela sobrevivência durante a ocupação alemã na sua cidade e Werner luta contra a sua consciência ao ser obrigado a fazer coisas que não deseja. “É certo fazer algo porque todos estão fazendo?”, a voz da sua irmã Jutta ecoa em sua mente durante todo o treinamento. De várias maneiras improváveis suas vidas são interligadas, fazendo uma conexão que nem mesmo eles sabiam que existia.

Anthony Doerr
Esse não é um livro fácil de ser lido, apesar dos capítulos muito curtos. Tem muita descrição, muitos cortes na história - do tipo que quando o enredo de um dos protagonistas está começando a pegar fogo, o capítulo corta para o outro e assim por diante. É o chamado “page turner”, que faz o leitor sempre querer ler a próxima página. Mesmo eu, que leio numa velocidade considerada rápida, me prendi ao livro durante 20 dias, quase um recorde de tempo. E não é porque a história não é interessante, muito pelo contrário, é porque é um pouco pesado, a ponto de você não conseguir ler 50, 60 páginas de uma vez só – e o livro todo chega a 500.

Não pense que é apenas mais uma história de guerra, porque não é. Não é a toa que a obra ganhou o Prêmio Pulitzer de Ficção em 2015. Anthony Doerr pesquisou incansavelmente sobre aqueles dias, sobre como era viver uma ocupação e como era ser obrigado a ser nazista. Tanto que ele demorou 10 anos para concluir a escrita do livro.

A menina cega, o rapaz nazista com peso na consciência, um diamante amaldiçoado, um tio com agorafobia, a guerra rolando solta: tinha tudo para ser piegas, mais um romance em plena luta. Mas não é. Longe disso. É cheio de sensibilidade e amor, principalmente o familiar. A relação de Marie-Laure com o pai e com o tio-avô é lindíssima, assim como a de Werner com a irmã. É do tipo que aquece o coração.


Toda Luz Que Não Podemos Ver é divido em várias partes, que alternam entre passado e futuro, ainda que sempre escrito no presente, nos dando uma sensação de urgência, de estar vivendo com os personagens aqueles dias de II Guerra Mundial. 

É uma leitura recomendadíssima onde aprendemos que ser vilão – ou não – é algo muito subjetivo e que há nesse mundo muito mais do que não podemos ver, mas que está lá.


Teca Machado

8 comentários:

  1. Oi, Teca! Menina eu li esse livro ano passado e a obra me agradou de uma maneira marcante. Dentre os livros que falam sobre guerra esse foi o que mais me agradou até o momento. Eu particularmente amo ler livros com essa temática. Adorei sua resenha, parabéns. E para aqueles que não o leram, a leitura é mais do que recomendada. Forte abraço!

    www.marcasliterarias.com.br

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  2. Oi, Teca!
    Eu sempre quis ler esse livro, mas toda essa descrição me deixa com um pé atrás porque é algo que nunca me agrada.
    Adorei sua resenha. Deu pra perceber que o livro realmente te marcou.
    Beijos
    Balaio de Babados
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  3. Oi, Teca! Eu gosto muito de livros com temática de segunda guerra, apesar de fazer tempo que não pego um para ler. Gostei muito de saber que ele tem um abordagem um pouco diferente do que estamos acostumados. Até porque tratar desse tema de que muitos alemães foram obrigados a fazer parte do nazismo é muito delicado e polêmico. Muito bom saber mais do que se trata o livro!

    beijos

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  4. Oi Teca!

    Eu conhecia o livro mas não tinha lido algo sobre ele, esta é a primeira resenha e confesso que gostei bastante! Geralmente eu fujo quando o assunto e guerra mundial, mas o enrendo deste livro me parece ser bonito e triste, a capa também e maravilhosa, fico feliz que tenha gostado. Amei a dica.

    Beijinhos

    Resenha Atual

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  5. Nossa, eu não fazia ideia do assunto que esse livro tratava! Me interesso bastante pela segunda guerra mundial, e apesar da rotulação, sabemos que grande parte dos guerreiros estavam ali obrigados, muitas vezes se sentindo mal pelo que eram comandados a fazer. Fiquei interessada em saber mais sobre a história dos dois protagonistas!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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  6. Oi
    a história dele parece ser linda, ele já faz um tempo que está na minha lista de desejados, gosto de histórias com esse tipo de ambiente e deve ser realmente boa po causa do premio que levou.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  7. Oi Teca, tudo bem? O livro parece ter uma estrutura narrativa bem diferente e original, além de ter um ponto de vista bem interessante dos personagens. Não estava na minha lista de leituras, mas adorei a indicação!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  8. Oi, Teca!!

    Adorei esse livro também. Achei lindo e emocionante. Foi uma leitura maravilhosa, embora também tenha demorado mais que o normal para lê-lo, mas isso acontece às vezes.
    Nem me incomodou a questão da demora em ler porque fiquei encantada no fim. E também derrubei algumas lágrimas.

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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