quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Crush à Altura - Crítica


Ninguém pode negar que a Netflix está se jogando em comédias românticas. Algumas excelentes, como Para Todos os Garotos Que Já Amei e Meu Eterno Talvez, e outras mais mornas, como A Barraca do Beijo e Megarromântico. Quando assisti ao trailer de Crush à Altura, da diretora Nzingha Stewart, achei que ele se encaixaria na primeira seção, mas no fim das contas ficou na segunda. A produção, que é um original Netflix não desagradou, mas também passou longe de encantar.


Muitas das protagonistas do gênero são marcadas pela inadequação que sentem durante a adolescência. Em Dumplin, Willowdean está fora do peso que os padrões de sociedade impõem. Sierra, de Sierra Burgess É Uma Loser, é considerada feia. Já Violet, de Felicidade Por Um Fio, apesar de não ser mais adolescente tem problemas com o seu cabelo crespo. E em Crush à Altura não é muito diferente. Jodi (Ava Michelle) sofre com a sua altura: a garota, aos 16 anos, tem 1,85 metro.

Jodi está longe de fazer parte do grupo de populares e quase todo mundo da escola fica de gozação com a sua altura. “Como está o clima aí em cima?” é o que ela mais escuta. Como é mais alta do que todos os garotos, acredita que nunca vai encontrar a sua alma gêmea, ainda mais porque se recusa a dar uma chance a Dunkleman (Griffin Gluck), seu amigo baixinho que é apaixonado por ela há anos. Mas então um aluno de intercâmbio sueco chega na escola. Stig (Luke Eisner) é lindo e, o mais importante para Jodi, muito alto. Jodi acredita que finalmente achou alguém com quem pode namorar, mas antes precisa se aceitar.



Pensem em todos os clichês que já viram em comédias românticas: Eles estão nesse filme. O mocinho que se apaixonou pela mocinha mesmo quando ninguém a enxergava, a melhor amiga estilosa e sempre com sábias palavras, a vilã popular, bonita e fresca, a transformação de visual, os pais sem noção, mas fofinhos, o discurso inspirador no fim e muito mais. E isso não é o problema, afinal, quem não ama um filme previsível, gracinha e com certeza de final feliz? O problema é que quando isso não é feito de forma criativa ou mesmo bem escrita, se torna mais do mesmo, um filme que com o tempo se torna esquecível.

O elenco é bacana. Nada muito excepcional, mas segura bem as pontas. Ava Michelle, aparecer de estreante como atriz (ela é cantora e modelo), vai bem como a protagonista, apesar do roteiro que a renega apenas à garota alta sem muita profundidade, quanto ela parece bem mais. Quem vai melhor é Griffin Gluck, que é muito competente, nos faz ter compaixão pelo personagem e que teve a sua construção melhor estruturada no roteiro. Mas posso dizer: eles tinham zero química. Talvez fizesse mais sentido ela apenas aceitar quem é e ser maravilhosa sozinha.



Fareeda (Anjelika Washington) é desperdiçada, porque a melhor amiga de Jodi tinha muito potencial para agregar muito para a história, como ela mesma diz. Já o pobre do Luke Eisner tem pouco com o que trabalhar. Seu Stig passa de fofo, para malvado para ok em questão de poucos minutos. Seu papel é uma bagunça sem fim! Fora que seu sotaque é tudo, menos sueco.

No fim das contas, Crush à Altura é ok, mas apenas isso. E ela é alta, mas não tão alta assim, as pessoas perto dela que eram minúsculas. Para completar a história que é razoável, tem cenas bonitas de Nova Orleans, uma trilha sonora bem escolhida e não te faz pensar muito. Minha nota seria um 5.


Nem sei se recomendo para alguém.

Teca Machado


Um comentário:

  1. Oi, Teca como vai? Eu assisti a esse filme e achei legalzinho. Dá para passar o tempo de boa, só para isso. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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