segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nada de adorável em Os Adoráveis


Em mais um dos meus episódios de ai-gente-que-capa-mais-linda-a-desse-livro-preciso-levar-para-casa, eu adotei como meu filho a obra Os Adoráveis, da jornalista e escritora londrina Sarra Manning. Tinha todo aquele pacote que me faz cair de amores à primeira vista: Uma capa bem gracinha, um nome que me chamou a atenção, estava na prateleira de mais vendidos e a sinopse dizia que era um livro no melhor estilo adolescente de garoto popular, garota esquisita, se odeiam, mas no fundo se amam. Não pensei duas vezes, comprei. Mas dessa vez acho que não fiz a escolha mais acertada. Definitivamente não entrou na minha lista de livros amados.


Na história Jeane Smith é uma espécie de it girl dos dorks do mundo (Dork é uma espécie de nerd, geek, mas um pouco mais excluído e “bobo”). Aos 17 anos, ela tem um blog sobre seu estilo de vida, o Adorkable, que já ganhou vários prêmios. Dá palestras, escreve para revistas e tem bastante sucesso. Usa apenas roupas de bazares e balcões de doações que nem as velhinhas de 85 anos queriam mais, pinta seu cabelo de todas as cores possíveis, compra sapatos de segunda mão, sua casa é mais suja do que um lixão e é descrita como feia. Já Michael Lee é totalmente o oposto. Certinho, bonitão, inteligente, com uma família estruturada, é o garoto mais popular da escola. Ou seja, eles nunca nem se falaram, apesar de frequentarem o mesmo colégio.

Quando o namorado de Jeane termina com ela para poder ficar com a namorada de Michael, o caminho dos dois se cruzam e, apesar das diferenças mais do que gritantes e discussões que acontecem de três em três minutos, eles não conseguem mais se desgrudar.

Os Adoráveis simplesmente não me convenceu. Nenhum um pouco. Para começar, Jeane Smith me deu nos nervos. Não do tipo Catarina, da novela O Cravo e a Rosa, que é chata e insuportável, mas uma personagem cativante. Jeane era apenas muito muito muito chata. Mandona, aparecida e intempestiva, ela pregava sobre a aceitação dos esquisitos e underdogs, mas ela mesma acreditava que o único estilo de vida que era o certo era o seu. Criticava as outras pessoas o tempo todo por não serem como ela. O Michael Lee era até fofinho, mas, por mais incrível que isso pareça, ele não me fez ficar apaixonada, o que é raro para mim em livros. E o romance dos dois não me pareceu genuíno em momento algum.

Sarra Manning

A dupla de ex dos protagonistas são outros dois personagens que só posso descrever como blé. Do início ao fim mudaram completamente de personalidade e foram basicamente dispensáveis.

Os capítulos de Os Adoráveis vai se alternando entre Jeane e Michael e a única indicação que tem de que mudou de narrador é se você está prestando atenção na leitura (O que, confesso, não fiz muito). Eles ficam juntos. Eles brigam. Eles querem terminar. Eles ficam juntos. Eles brigam. Eles querem terminar. E assim vai e vai e vai até que o leitor não vê a hora que aquelas 384 páginas acabem. Pelo menos foi assim para mim e vendo comentários sobre o livro na internet, a opinião geral meio que bate com a minha.

Enfim, o que era para ser um livro de louvor aos estranhos e excluídos desse mundo, sobre aceitação, se tornou uma obra que diz que a única coisa certa é seguir um estilo de vida que foge dos padrões e da moda, porque se você for “normal”, provavelmente é um babaca sem personalidade, como Jeane afirma constantemente.

Não recomendo.

Teca Machado

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