sábado, 1 de setembro de 2012

Os cadernos da minha vida


Remexendo numas caixas de coisas antigas, encontrei algo que me fez dar muita risada. Três Cadernos de Perguntas. Eu não sei se isso era coisa da minha cidade ou se toda criança/adolescente fazia isso quanto tinha entre uns 10 e 14 anos, mas eu sei que eu tive vários e respondi tantos que eu nem consigo lembrar.

Para quem não sabe, era um caderno com perguntas (Jura? Que explicação idiota essa minha, haha). Você escrevia uma pergunta no topo de cada folha e deixava o resto do papel como espaço para os seus amigos responderem. Eram coisas como: Seu nome, sua idade, seu filme preferido, o que quer ser quando crescer, pessoas que ama. Só isso. Mas ele era um ótimo mecanismo para descobrir quem gostava de quem, quem já tinha beijado na boca e coisas do tipo que a gente quase morre para descobrir quando tem essa idade. Se o caderno pertencia a uma amiga, era comum pedir para ler depois que o menino que a gente gostava respondia.

Meu caderno atual que eu uso no trabalho. Sério, assim mesmo, cor de rosa e com strass incrustado

De vez em quando dava briga, pois uma pergunta muito comum era: “Quem é o seu melhor amigo?”. A pessoa que não estava inclusa na resposta de quem considerava ser seu melhor amigo, ficava toda magoada e brava e a amizade ficava por um fio.

O melhor de ter reencontrado esses cadernos foi ver que muitas das pessoas que responderam quando eu tinha uns 10, 11 anos, ainda são minhas amigas. Bruna Peron, Lud Veloso, Loraine Bezerra, Lucas Alaião, Ana Paula Ferraz, Alex Rodrigues, Fernanda Nabarrete e muitos outros. Confesso que de alguns que responderam eu não lembro e não faço a mínima ideia de quem seja. São aqueles tipos de amigos que passam pela escola e pela vida da gente tão rápido que nem deu tempo de ficarem marcados.

Me tocou muito ver as respostas de um amigo meu que faleceu quando nós tínhamos 12 anos, o Thiago Joseh. Não éramos muito próximos, ele era de outra sala. Mas, como o Patronato Santo Antônio, a escola que eu estudava, era muito pequeno, todo mundo se conhecia. O Thiago era querido, super inteligente e todo mundo gostava dele. É triste ver que uma criança que tinha tanto potencial, tanto futuro pela frente, foi atropelada antes mesmo da sua vida começar de verdade. Meus olhos encheram de lágrimas enquanto lia as respostas dele. “O que você quer ser quando crescer? Médico, quero salvar vidas”. Irônico, né? Já que ele nos deixou tão cedo.

Os itens mais essenciais de uma jornalista: um bloquinho e uma agenda (presente do namorado lindo!)

Foi muito divertido ver o quanto a gente é bobo quando tem essa idade e como tudo muda com o tempo, menos o que a gente sente pelas pessoas que passam pelas nossas vidas.

O engraçado é que cadernos sempre fizeram parte da minha vida. Esses de perguntas, os de caligrafia (Eu tinha uma letra TÃO feia, que o meu pai me obrigava a completar cadernos até ela ficar bonita), os diários e as agendas, hoje os meus mini cadernos (Bloquinhos de jornalista) e os cadernos de conversa no meu 2º e 3º ano do ensino médio. Mas essa é uma outra história que outro dia eu conto.

Ao ler os cadernos, a nostalgia bateu e a melancolia me assolou por uns dias. 

Teca Machado 

3 comentários:

  1. Realmente, bate nostalgia mesmo.. Eu também achei um meu, encapado com pelúcia rosa bebe hahahahhaa

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  2. Adorei, Teca!
    Eu e minhas amigas também tínhamos esses cadernos de perguntas, pena eu não ter guardado nenhum :/
    Sempre que vou na casa da minha mãe, dou uma fuçada nas minhas coisas antigas também, e encontro minhas camisetas de colégio com recadinhos de colegas que a gente fazia todo fim de ano, comentários idiotas no meio das apostilas, etc kkk. É sempre bom relembrar!

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  3. Nossa, adorei ler meu nome aqui e adorei estar presente nessas lembranças!!! Não tenho nada dessa época, acredita? Nem uma foto. Só lembro que eu era A chata e vc sempre me defendia dos coleguinhas que me odiavam kkkkkkk. ;*** Bruna Peron

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