quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Virando a Página – Hugh Grant sendo ele mesmo


Em Birdman (Comentei aqui), Michael Keaton basicamente interpretou a si mesmo: Um ator de filmes de super heróis que quase caiu no ostracismo e luta contra a tristeza que é ser esquecido por Hollywood. Com uma linguagem bem mais leve, divertida e fofa, Virando a Página, do diretor e roteirista Marc Lawrence, faz o mesmo por Hugh Grant, um ator que já teve o seu auge e hoje, apesar de ainda reconhecido e amado, não recebe muitas chances.


Virando a Página é uma gracinha. Daqueles filmes despretensiosos para você assistir em dias que precisa de algo para desanuviar a mente e acreditar que tudo pode dar certo. Quando terminou eu estava com um sorriso no rosto.

Hugh Grant é Keith Michaels, um roteirista aclamado que ganhou o Oscar em 1997 pelo filme Paradise Misplaced. Quase duas décadas se passaram e agora Keith tenta se reerguer com outros roteiros e histórias, mas Hollywood não quer saber dele, apesar de ainda amar seu maior sucesso. Sem outras oportunidades financeiras, o roteirista se vê obrigado a deixar Los Angeles para ser professor numa pequena universidade numa minúscula cidade da costa leste, a mais de cinco mil quilômetros de casa.


Hugh Grant deu uma envelhecida boa, hein?

Só que Keith acredita que ser professor é algo para fracassados que não deram certo em outras áreas, que é impossível ensinar pessoas a escrever roteiros e livros, já que para ele é preciso apenas ter talento, e se envolve com uma aluna menor de idade. Então vocês imaginam como são as suas primeiras aulas e sua relação com outros professores, tudo muito politicamente incorreto. Só que com a ajuda de Holly (Marisa Tomei), uma universitária adulta, mãe solteira de duas filhas e que trabalha em pelo menos dois empregos diferentes, Keith aprende que se reinventar e tomar outros caminhos é preciso e que pode ser muito bom abandonar velhos hábitos.

Apesar de ser uma comédia romântica, o foco de Virando a Página não é o romance, é a relação de Keith com ele mesmo, com seu passado e seu futuro. O protagonista é egocêntrico, machista, mulherengo e muito antiético, mas é aquele tipo de anti-herói que o público passa a gostar, já que conhece seu íntimo e suas inseguranças, aos poucos entende porque ele é do jeito que é. E Hugh Grant está ótimo nesse filme (Mais uma vez ele basicamente interpreta a si mesmo e no mesmo papel de sempre). Ele soube dar um ar irônico, melancólico, engraçado e ainda assim confiante ao personagem. É uma metáfora de si mesmo.

Holly e Keith

Keith e Karen, a aluna com quem se envolve

Marisa Tomei é sempre um frescor, sempre transforma qualquer papel em algo mais grandioso. Holly é um raio de sol na cidade chuvosa onde vivem, é uma otimista de plantão cheia de frases de autoajuda sem ser chata. J. K. Simmons, como diretor do departamento da universidade, aparece pouco, mas é sempre engraçado, e Allison Janney faz a típica professora matrona que vive e respira o universo acadêmico a ponto de não ter vida própria.

Marc Lawrence, que já fez parceria com Hugh Grant em Letra e Música (amo!), Amor à Segunda Vista e Cadê os Morgan?, trabalha nesse filme muito da metalinguagem do cinema, trazendo a tona os bastidores do fazer um filme, algo que Hollywood explora bastante. Seria ele o roteirista cansado que sempre tem portas batendo em sua cara?



Apesar de leve e engraçadinho, Virando a Página tem um quê reflexivo sobre se adaptar, reinventar, seguir em frente, e é uma crítica à Hollywood que num momento te ama e no próximo te ignora. E sempre que tem Hugh Grant e Marisa Tomei é uma ótima pedida. Pena que não teve publicidade no Brasil e passou em pouquíssimos cinemas.

Recomendo (Para quem quiser assistir, tem no Netflix).

Teca Machado

6 comentários :

  1. Olá,
    Eu gosto muito desse tipo de filme, então obviamente me interessei e fiquei super curiosa pela leitura, sem falar que adoro o Hugh, geralmente os filmes que ele faz não me decepcionam. Letra e Música mesmo é um dos meus favoritos.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Oiii Teca!!
    Eu amo o Hugh Grant. Principalmente em Um Lugar Chamado Nothing Hill e Amor a Segunda Vista!
    Ele é super engraço, amo o jeito dele.
    Já ouvi falar desse filme, mas ainda não assisti!
    Farei isso agora!! haha

    Beijos
    www.ooutroladodaraposa.com.br

    ResponderExcluir
  3. Oie!!
    Parece ser um filme muito bom. A história parece ter um enredo legal. Nunca ouvi falar, mas gostei da sugestão!!
    Beeijo!!!

    Grazy
    frequencia-afetiva.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Confesso que esse não é muito meu tipo de filme, mas por ser leve e despretensioso, acho que seja uma boa opção assisti-lo quando se quer relaxar.
    Ótima dica.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de novembro. Você pode ganhar um livro incrível!

    ResponderExcluir
  5. O filme parece bem legalzinho. Anotada a dica pra ver qualquer dia desses. Tô mesmo querendo uns filmes leves e despretensiosos pra ajudar passar o tempo. ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Hey, Teca!

    O filme parece ser algo gostoso para assistir, mas no momento estou precisando rir de verdade. Então, procuro ver apenas coisas que sei que são idiotas ou então vídeos de gatos na internet. Hahahaha. Aliás, posso passar horas vendo o último... xD

    Mas confesso que assisti A Esperança no último final de semana porque simplesmente precisava assistir, né?! Hahaha

    De qualquer forma, a dica é ótima e espero assistir daqui algum tempo quando conseguir parar um pouco para simplesmente fazer nada, né?

    Bjs

    livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

    ResponderExcluir