quinta-feira, 25 de outubro de 2012

20 anos de 15 de julho


“Um Dia”, de David Nicholls, é um livro escrito de uma maneira tão diferente que chama a atenção. Emma Morley e Dexter Mayhew, ingleses, se conheceram aos 22 e 23 anos, respectivamente, no dia da formatura, em 15 de julho de 1988. Eles “meio” que ficaram juntos e, a partir daí, surgiu uma amizade que durou praticamente toda a vida deles.

As duas versões de capa do livro.

A data é Dia de São Swithin, cuja lenda diz que o clima que fizer naquelas 24 horas, vai ser o mesmo para os próximos 40 dias. E, como foi o primeiro dia que eles passaram juntos, todo o livro passa nessa mesma data, em todos os anos seguintes. Cada capítulo é um dos anos durante os 20 próximos da vida de Em e Dex, Dex e Em.

Quando comecei a ler, pensei que ia ser estranho, que íamos ficar no vácuo, já que há um intervalo de um ano entre os capítulos, mas o autor dá um breve resumo do que acha que é interessante que o leitor saiba. E eu não senti falta de nada, pelo contrário, foi até mais prático do que saber todos os detalhes de 20 anos da vida dos personagens.

Por falar nos protagonistas, eles não podiam ser mais diferentes um do outro. Emma é de classe média baixa, corta o próprio cabelo, é contra convenções e não tem autoestima. Mal-humorada e um tanto amarga, ela é politizada. Tem aquele forte desejo jovem de fazer protestos contra guerra, corrupção e quer mudar o mundo, nem que seja só um pouquinho dele. Já Dexter é um cara bonito, bom vivant, mulherengo por natureza e amado por todos. Rico e bem instruído, ele viajou o mundo, ficou famoso e tem um certo probleminha com bebidas e drogas. Emma e Dexter se amam e se odeiam, mas não vivem um sem o outro.

Esse é David Nicholls, o autor.

É uma história bem verossímil. É um enredo que poderia ser muito bem real. É apenas a vida de duas pessoas que se cruzaram, simplesmente isso. Mas, ainda assim, é doce (Talvez agridoce), interessante, engraçada e comovente, como a vida de todas as pessoas. Às vezes um está por cima, outro por baixo, mas nada é permanente.

Em alguns momentos, odiei a Emma. Em outros detestei o Dexter. Mas, também fiquei comovida, apaixonada e alegre pelas conquistas dos dois. Pareço até uma louca falando de gente de verdade, né? Mas é assim que eu acabo enxergando personagens de livros, como meus amigos (Carente feelings...)

A linguagem é leve, sem rodeios e fácil. Nada muito rebuscado. Apesar das suas mais de 300 páginas e do meu tempo estar totalmente escasso (Tenho o blog, um emprego, uma empresa e planos futuros que já estão sendo desenvolvidos na velocidade da luz), consegui ler em uma semana. Todas as noites, antes de dormir, eu juro para mim mesma que eu vou ler só um pouquinho, tipo cinco páginas ou um capítulo, mas eu não resisto e leio durante uma hora, duas. E, quando percebo, é uma hora da manhã ou mais. No outro dia acordo arrependida, juro que não vou fazer mais isso, mas faço igualzinho.

Cena do filme Um Dia, estrelado por Anne Hathaway e Jim Sturgess.

Acho que as mulheres vão gostar mais do que os homens, mas isso não significa que eles não vão apreciar a leitura.

Tem o filme também, com a Anne Hathaway e Jim Sturgess, mas ainda não assisti. Queria ler o livro primeiro. Bom, missão cumprida.

Recomendo.

Teca Machado

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