quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Os zumbis somos nós

Essa semana assisti pela primeira vez a série The Walking Dead. Adorei! E na hora pensei: “Ai, como eu quero um post sobre isso!”. Só que alguém que viu um mísero episódio não pode dar muita opinião, né? Então, resolvi pedir para a Daya Nascimento, que é a maior especialista sobre zumbis que eu conheço (Depois do namorado dela que é mais pirado ainda no tema) para escrever um post aqui no blog sobre o assunto.

Ela, que é uma ótima jornalista, prontamente aceitou e escreveu um texto SUPER legal. Divirtam-se!

Teca Machado

Os zumbis somos nós!




Um dia já achei seriados uma tremenda bobagem, verdadeira perda de tempo (true history!). Mas olha o que o amor me fez: foi só começar a namorar para conhecer o melhor da vida (oun!) e da cultura pop! Acreditem se quiser, atualmente, acompanho oito séries, mas uma das minhas preferidas é a norte-americana produzida pela AMC, The Walking Dead, que ganhou projeção por bater recorde de audiência em 120 países e agora achou espaço no coração da Teca! Rendida aos olhos esbugalhados e àquele andar troncho dos nossos adorados zumbis, ela me convidou para falar um pouquinho sobre esse universo de caos e de diversos questionamentos.

TWD estreou na Fox em 2010 e é baseada na HQ homônima criada e escrita por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore. Está na 3ª (e melhor!) temporada, na qual dá vida a dois excelentes personagens da HQ: a valente Michone (Danai Gurira) e o temido Governador (David Morrissey), eleito pela revista americana Wizard, como “vilão do ano”. O Governador é um personagem tão extremo que tem até um livro destacando sua biografia, o The Walking Dead: A Ascenção do Governador (editora: Galera Record). Mesmo sendo claramente uma adaptação, o seriado ainda recebe muitas críticas de quem já leu as HQs, pois alguns personagens que existem em uma obra não são encontrados na outra, assim como situações valorizadas nas HQs são minimizadas no seriado ou o contrário. Particularmente, curto ambos. Consegui perceber que são trabalhos diferentes e até mesmo para públicos diferentes.

Cena do primeiro episódio

A série conta a história de Rick Grimes (Andrew Lincoln) um policial que, após período em coma depois de ser baleado em um tiroteio, acorda em meio a um verdadeiro apocalipse: o mundo invadido por zumbis. A sociedade com ele conhecia não existe mais, no lugar só caos e abandono, dando a impressão de que é o único sobrevivente. A fotografia desse primeiro episódio é incrível e cria uma ambientação para o desconhecido. Ao conseguir chegar ao que era sua casa, Rick obviamente não encontra sua mulher Lori (Sarah Wayne Callies) nem seu filho, Carl (Chandler Riggs). A busca desenfreada e perigosa pela sua família começa até ser interrompida, brevemente, por um bando de zumbis famintos.

Imagina acordar num mundo cheio desse bichinhos?

Mesmo com altos e baixos, o seriado tem atraído espectadores de todos os lugares do mundo. Aqui no Brasil, a Band já anunciou que transmitirá os seis episódios da primeira temporada em janeiro de 2013. Mas o que precisa ficar claro para quem pretende se jogar nesse mundo de tripas e sangue ou para quem já é fã de carteirinha é que TWD não é uma história sobre zumbis, mas sobre seres humanos e tudo o que os envolve.

Esse é o Rick, o protagonista.

Como é/seria o comportamento das pessoas em meio à desordem e a capacidade em tomar decisões sob pressões derradeiras. Sabemos realmente conviver em grupo e com aqueles que fazem questão de nos contrariar? Seus pontos fracos afloram com facilidade quando pressionado? E como você se comporta diante da descoberta de uma traição? O que faria para se proteger ou cuidar dos seus? No final das contas, os zumbis sempre serão os menores dos problemas.

Esse foi um dos zumbis menos feios que encontrei. Não queria assustar vocês.

Questões como essas são extravasadas e jogadas em nossa cara a todo instante na série. Por isso, recomendo-a demais. Mas se você ainda continua com nojinho dessas criaturas de pele apodrecida, diga-me: qual a diferença, por exemplo, entre os zumbis (muito bem!) caracterizados de TWD e um grupo de pessoas que querem agredir e até linchar um criminoso: NENHUMA! Esse é o ponto, todos nos transformamos em zumbis quando a imobilidade social atrofia nossa capacidade racional, crítica e inventiva.

Daya Nascimento 

Ps.: adorei a oportunidade, Teca! Muito obrigada! 

4 comentários:

  1. Ótimo texto! É como eu sempre digo: "tire as condições normais das pessoas e vc realmente as conhecerá"!

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    1. Obrigada pelo elogio, meu bem! E pelas boas influências, claro! :)

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  2. Adorei o post, sou fã da série e concordo que a terceira temporada é a melhor até agora!
    Muito legal destacar esse lado do comportamento humano em meio ao caos, me lembra muito o livro (e filme tb) "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago, onde do nada todo mundo fica cego! E no desespero, o instinto de sobrevivência fala mais alto (minha dica de post, hein Teca! rss).
    Bjs!

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    1. Oii Karla,

      Que bom que curtiu o post!
      Vc falar de José Saramago prova que podemos ver várias referências quando observamos a cultura pop além da produção! Sempre existe uma crítica, uma análise social!
      Adorei seu comentário!

      ;*

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