quarta-feira, 20 de março de 2013

Um excelente fracasso de bilheteria: John Carter – Entre Dois Mundos


Detesto quando um filme bom vira um fracasso de bilheteria. Esse foi o caso de John Carter – Entre Dois Mundos, lançado ano passado. Na época que saiu no cinema, ninguém me falou “Eu gostei” ou “Eu não gostei”. Eu mesma não assisti, mas não tenho a mínima ideia do motivo, já que eu adoro esse tipo de história. Acho que simplesmente deixei passar. Então, pior do que ser criticado negativamente, é ser ignorado. Opinião, cada um tem a sua, mas não ser assistido, é o pior dos pesadelos para um estúdio. Foi o que aconteceu com esse filme. Uma pena, porque finalmente vi nesse final de semana e achei excelente.


Apesar de falar de outros mundos, máquinas voadoras muito tecnológicas e temas meio modernos, John Carter foi escrito em 1912 por Edgar Rice Burroughs, o mesmo autor de Tarzan. O nome original da obra é A Princesa de Marte (E eu fiquei interessadíssima em ler!).

A premissa de John Carter pode não parecer novidade. Mais um herói cabeludo, bonito, sarado, de tanguinha, que luta com vilões e monstros numa terra que não é sua, tudo para salvar uma mulher bonita, sarada e geralmente em uma sexy roupa de couro (O Príncipe da Pérsia, Avatar, 300, Gladiador, Conan, Fúria de Titãs...). Só que isso é bom. Grande parte dos espectadores gosta disso (Eu! Eu!). Mas o mais interessante é que provavelmente ele foi o precursor de todos esses heróis anteriores.

Taylor Kitsch, o novo John Carter

Então, o milionário John Carter (Taylor Kitsch, beeeem gatchenho e que interpretou o Gambit em X Men Origens: Wolverine) morreu. Antes de falecer, pediu para que chamassem o seu sobrinho Edgard Rice Burroughs (Sim, o autor da história. Ele é interpretado por Daryl Sabara, o ruivinho de Pequenos Espiões). Como herança, John Carter deixa tudo para o rapaz, inclusive um diário, onde conta o que aconteceu com ele 13 anos antes.

Pequenininho o bicho, né?

Naquele tempo, John Carter vivia na época da Guerra Civil americana. Ex-capitão do exército sulista, ele era meio que um fora da lei, que fugia das convenções sociais depois que passou por dramas familiares que o deixaram sem rumo e sem propósito. A procura de uma mina de ouro e fugindo de uma tribo indígena, acaba entrando numa caverna e dando de cara com um alienígena azulado e meio careca que o manda sem querer para Marte.

John Carter e Dejah Toris

Num mundo estranho, onde não consegue andar direito por causa da gravidade (As cenas mais engraçadas do filme são quando ele está reaprendendo a andar) e sem a mínima ideia do que fazer, ele se vê no meio de uma guerra entre os habitantes do planeta (São iguais a nós, mas com sangue azul e uma das raças tem a pele meio vermelha). Encontra também os Tharks, uns etês que também vivem lá. Muito altos, verdes e com quatro braços, tentam escravizar John.

Esse bichinho bônito é um Thark

Sem intenção nenhuma, o protagonista se envolve na batalha de Marte e salva a princesa Dejah Thoris (A curvilínea de olhos azuis brilhantes Lynn Collins). Ambos se aliam, juntamente com uma Thark e um bichinho que parece uma mistura de cachorro e sapo, para tentar acabar com a guerra e para o protagonista voltar para a Terra.

De tão feio é gracinha esse cachorro da guarda que parece um sapinho, lagarto e tubarão

Sem spoiler, é claro, mas o final desse filme é sensacional. Muito inteligente, do tipo que deixa você com o queixo caído pensando “Uau!”. Foi um dos melhores desfechos que já vi. O roteiro é bem amarrado, mas não explica bem algumas coisas, o que é normal é adaptações de livros. É bem corrido, de ação e engraçado.

A princesa de Marte é bem bonita

John Carter – Entre Dois Mundos é da Disney, mais precisamente da Pixar. Foi o primeiro filme do estúdio de animação que não foi desenho. Então, é óbvio que o nível técnico e de efeitos especiais é o mais alto possível. Apesar de ser grande parte feito por computação gráfica, não é exagerado e nem parece irreal, principalmente nas paisagens áridas de Marte. Assistir em 3D é uma experiência a parte. Se você tiver a oportunidade, faça isso.

De ação e divertidíssimo

Não sei porque o público não gostou do filme. Tudo bem que nem todo mundo aprecia ficção científica, mas John Carter – Entre Dois Mundos, é muito bom e divertido. Mas até entendo porque o filme deu prejuízo. O custo de produção foi de U$ 250 milhões, fora os U$ 100 milhões gastos com marketing e promoção. Ele arrecadou ao redor do mundo quase U$ 290 milhões, mas para dar lucro realmente, tinha que ter atingido no mínimo U$ 800 milhões, uma façanha e tanto. Infelizmente não foi o caso. Dizem que foi um dos maiores fracassos da história da Disney, tanto que isso causou o afastamento do chefe de estúdio.

Muitos querem uma sequência, mas por enquanto a Disney se recusa. Bom, o jeito é esperar e torcer para que ela mude de opinião.

Recomendo bastante.

Teca Machado

5 comentários:

  1. Assisti, AMEI o filme, comecei a pesquisar na Internet, e, assim como você, me assustei com o número de críticas negativas. Mas concordo com cada palavra que você escreveu.

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    1. Acabei de assistir, pela quarta vez, ao filme. Desde primeira vez eu gostei do enrredo do filme. Cenários deslumbrantes, o tema da viagem interplanetária, os personagens... Porém, percebi agora que é uma colcha de retalhos feitos às pressas. Várias sub estórias e personagens que foram explorados de forma superficial. Talvez se o filme fosse dividido em dois, o relato seria mais profundo e com o dinamismo coerente.

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  2. Gostei muito, ainda mais a visão futurista de Rice!

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  3. Gostei muito, ainda mais a visão futurista de Rice!

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  4. Eu arrisco dizer que o motivo do filme ser "estranho" pra mim é o tema que esbarra em viagens temporais por seres que manipulam fatos históricos pra manter uma espécie de equilíbrio no destino. Mesmo que isso inclua conspiração, e uma certa dose de estupidez por parte do vilão que parece ser muito "poderoso" pela vantagem que possui.
    Se esse tropeço tivesse sido "adaptado" para melhor eu diria que o longa seria perfeito.
    Pra finalizar abusaram de atributos autrista no protaginista e tudo parece favorece-lo, oque da um ar muito ingênuo a trama e por isso mesmo poderia ter custado menos.
    Mas acabou não sendo nem uma coisa nem outra, tamanho investimento em uma história pueril, merecia mais camadas e talvez isso até desvirtuaria a intenção do público alvo.
    Lamento também pelo fracasso.

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