quinta-feira, 7 de março de 2013

Caminhando nas Nuvens – Não tem como não amar


Sabe aquele filme que você pode ver 352 vezes e adorar cada uma delas? Ter as mesmas sensações que se teve na primeira vez que assistiu e se emocionar, rir e torcer para que tudo dê certo? Umas das produções que é assim para mim é Caminhando nas Nuvens, de 1995.


Para começar, eu amo o título desse filme. É tão doce, tão amor, tão coisa linda. Ainda mais porque remete ao local onde o longa passa: Uma fazenda mexicana chamada Las Nubes (As nuvens em espanhol).

Momento gracinha de Caminhando nas Nuvens

Paul Sutton (Keanu Reeves, num papel tão querido que lhe caiu perfeitamente) é um homem órfão e ex-combatente que acabou de voltar da II Guerra Mundial. Voltando para a sua esposa que mal conhece, ambos percebem que talvez sejam incompatíveis. Querendo se ver livre do marido, ela o convence a ser vendedor de chocolates e a percorrer cidades mostrando o produto. 

O carismático Paul Sutton

Dentro do ônibus, numa das primeiras viagens, Paul conhece (De um modo nada romântico) Victoria Aragón (A muito bonita Aitana Sánchez-Gijón), uma mexicana de família tradicional que está voltando para casa depois de estudar fora. O problema é que ela é solteira e está grávida, o que para a época e para os seus pais era inaceitável. Por ser um amor de pessoa, Paul ajuda Victoria indo até a casa da sua família, a vinícola na fronteira com o México chamada Las Nubes, fingindo ser seu marido, para depois “abandoná-la” sozinha com o filho.

Victoria e Paul

O pai de Victoria é Alberto (O explosivo Giancarlo Giannini), um homem rude, fascista e ríspido com os filhos. Já a mãe (Interpretada por Angélica Aragón) é aquela mãezona mexicana, compreensiva, amada por todos. O melhor dos personagens é Don Pedro Aragón (Anthony Quinn, sempre muito bem), o avô de Victoria, um homem carismático, que praticamente adota Paul como seu filho e sempre acha uma desculpa para o rapaz não ir embora.

Um pai mexicano, bigodudo e fascista

Caminhando nas Nuvens tem uma história de amor doce e bem construída. Perfeitamente plausível, ela tem um quê de inocência e beleza dos anos 1940. A trilha sonora é muito bonita e combinou com o resto da produção. As roupas são lindas, os cabelos impecáveis e a imagem é como se tivesse passando por um filtro vintage do Instagram. As cenas na vinícola são belíssimas, principalmente quando tem a geada e quando colhem e pisoteiam as uvas. Nota 10 para a fotografia do filme.

A geada nas uvas, uma das cenas mais bonitas do filme e do cinema.

O romance entre os protagonistas é meio óbvio (Qual filme de amor não é óbvio, não é verdade?). É claro que eles iam se apaixonar loucamente. Mas o foco da história são, na verdade, os laços familiares e a construção de relações saudáveis entre os Aragóns.

Casalzinho

Caminhando nas Nuvens mostra que entre perdas, tragédias, amores, alegrias e brigas, o que fica, o mais importante, é a família, por mais disfuncional que ela seja. O filme é otimista e bondoso em toda a sua essência. Acho que Pat Peoples, de O Lado Bom da Vida, ficaria feliz com o final dessa linda história.

Quem não quer um avô desses?

Recomendo muito.

Teca Machado

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