quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

47 Ronins: Samurais sem mestre, criaturas míticas e Keanu Reeves lutando como um doido


“O Keanu Reeves deveria ter pegado os U$ 100 milhões que ganhou com o Matrix e ficado quieto”. Esse foi o comentário do meu namorado quando terminamos de assistir 47 Ronins, que está nos cinemas há poucos dias. Olha, o filme não é ruim, mas também não é lá essas coisas. A história foi mal trabalhada, os relacionamentos, sejam de amizade, sejam de amor, não convenceram e o achei tudo meio “jogado”. Em compensação, o conceito visual do filme é muito bonito, assim como o figurino, principalmente o feminino.



Do diretor Carl Rinsch, um novato na direção, 47 Ronins é baseado no livro homônimo de John Allym. O enredo tem como base a história japonesa que dizem ser real e aconteceu no período feudal do país no século XVIII. 

O lorde Asano (Min Tanaka), governador da província de Ako, recebe nas suas terras o xógum Tsunayoshi (Cary-Hiroyuki Tagawa, o Takeda de Revenge – Comentei aqui), tipo o rei do Japão, e o lorde Akira (Tadanobu Asano), governador de outro local. Certa noite, enfeitiçado por uma feiticeira (Riko Kikuchi) a mando de Akira, Asano tenta matar o seu convidado. Como punição ele é forçado a realizar o seppuku, suicídio por esventramento (Sim, é isso mesmo o que você está pensando: estripar-se, arrancar as próprias tripas).

Os 47 ronins, samurais sem mestre

Os samurais de Asano ficam sem mestre, ou seja, eles viram ronins, que na cultura japonesa é uma desonra tão grande que é preferível o seppuku. Os 47 ronins, liderados por Oishi (Hiroyuki Sanada, de Wolverine Imortal – Comentei aqui), esperam a hora certa da vingança contra Akira e sua feiticeira, mesmo que isso signifique morte. E para serem bem sucedidos no plano pedem a ajuda de Kai (Reeves), um mestiço que a vida toda foi desprezado por todos, mas que luta como ninguém e é apaixonado por Mika (Ko Shibasaki), filha do falecido Asano.

Kai e Mika

Com um quê de misticismo e criaturas bestas-feras, 47 Ronins mistura lenda com história real. As cenas que a feiticeira toma outras formas, com panos de seda esvoaçantes, são muito bem feitas e são um deleite para os olhos, assim como as lutas encenadas por Keanu Reeves (Matrix foi um ótimo treinamento para o ator). Os cenários e as roupas condizem com o momento do filme. As partes mais alegres (Mesmo as de suicídio) são pontuadas por flores de cerejeiras, cores, sol e campos verdes, e as mais trágicas e de lutas por escuridão, sombras, chuva e fogo.

Cenários do Japão

O problema de 47 Ronins é que a sequência narrativa não teve muito cuidado de amarrar o enredo ou de aprofundar nos sentimentos, mesmo que seja um filme de ação. Poderia ser uma história marcada pelo companheirismo e pela cumplicidade dos 47, mas nem isso é mostrado. O amor de Kai e Mika é bem morninho, meio sem química. Não convence. Alguns fatos não são explicados. Por exemplo, tem uma cena que os ronins estão sendo massacrados pela feiticeira e ela acredita que matou todos. Na seguinte, aparecem quase todos eles e nem explica porquê ela acha que venceu ou como eles escaparam.

Feiticeira

Você pode perceber se um filme está agradando quando o público no cinema é arrebatado pela história sendo contada na tela. Na minha sessão as pessoas se levantaram o tempo todo para ir ao banheiro, teve gente mexendo no celular várias vezes, e não estava muito silencioso. Acho que o público esperava mais. Bom, pela qualidade do trailer, sei que eu esperava.

Kai, Oishi ao fundo e um dos outros ronins

Apesar dos pontos negativos eu recomendo. Não sei se vale um ingresso do cinema, estacionamento do shopping e gasto com pipoca, mas é bom para assistir, nem que seja em casa.

Teca Machado 

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