quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Cartas aos meus futuros filhos



Amados futuros filhos,

Eu nem imagino como vocês sejam e nem quantos são, mas já os amo. Que coisa doida, né? Amar quem ainda nem nasceu. Talvez tenham a cor dos meus olhos e sejam canhotos como eu. Talvez puxaram o pai e ninguém nem falaria que eu sou a mãe de vocês. Ou talvez vocês sejam parecidos com a tia Nana, já que a prima de vocês Helena é a cara da mamãe. Mas uma coisa eu digo: Não importa se são minhas cópias ou totalmente diferentes de mim, só sei que são lindos. São lindos e eu os amo.

Espero que no momento que vocês leem isso eu tenha aprendido ou adquirido o sexto sentido que a avó de vocês tem. Gente, é assustador. Desde que eu era pequena, ela olhava para algum namorado ou amiga minha e dizia “não presta” ou “não vai durar”. E ela sempre acertava. Pior ainda é que ela acertava sobre os relacionamentos das minhas amigas também. Ela anunciou alguns corações partidos antes de qualquer pessoa sequer sonhar com isso. Me dava medo. Aliás, me dá medo até hoje. Será que é algo dela ou que nasce em toda a mãe no momento que o filho vem ao mundo? Se ela falar algo do tipo para vocês, acreditem, falo por experiência própria.

Espero que a essa altura eu também seja do tipo de mãe que acerta a previsão do tempo. 90% das que eu conheço sempre sabem quando vai chover ou esfriar, mesmo que esteja um dia claro, sem nuvens e com 40°.

Tenho certeza que vocês vão me deixar louca por fazerem coisas que eu não deixo/aprovo/gosto. E o contrário também é válido: eu vou deixar vocês doidos de raiva. Vocês vão me odiar em alguns momentos, mas como o ódio é o sentimento mais próximo do amor e muito momentâneo, acho que vou ter que relevar e vai passar. Sei que no fundo vocês me amam também. 

Pretendo ser muito legal, só que vou brigar quando for necessário e quando vocês merecerem, por mais que isso me mate por dentro. Mas prometo que nem vou ficar brava se um de vocês amarrar o outro no poste (A tia Nana fazia isso comigo. Vejam a história aqui e o vídeo aqui).

Peço que tenham paciência comigo, afinal, eu não tenho muita experiência nessa coisa de ser mãe. Vou errar um monte, principalmente com o(a) primogênito(a) (Desculpa, querido(a)! Ser o primeiro desbravador tem dessas coisas ruins, mas pode ter certeza que você sempre vai ser o meu primeiro grande amor).

Pude ter uma ideia de como é cuidar de filhos e do que é amor incondicional por causa das primas de vocês, minhas sobrinhas. Mas eu confesso que ser tia é só a parte boa. A gente brinca, cuida, beija, lambe, faz bagunça, mas quem educa, ensina, briga e chama a atenção são os pais. Um de vocês vai ter filhos primeiro, e eu digo para o outro (Ou outros, não sei ainda) que aproveite para mimar bastante os seus sobrinhos e para aprender alguns truques, como trocar fraldas, como distrair crianças e como fazer mamadeiras. Prometo que vai ser muito útil e extremamente divertido. Se eu não coloquei uma fralda na cabeça de vocês ou não os deixei comer areia é porque eu aprendi com a Aninha e a Helena, minhas cobaias.

Enfim, seja em tempo bom, seja em tempo ruim, seja me desobedecendo, seja me fazendo surpresas, seja gritando comigo, seja acordado, seja dormindo, seja chorando, seja dizendo que me ama, seja bebê, criança, adolescente, adulto ou velho, seja em qualquer situação, eu amo vocês. E já amo desde agora.

Da sua mãe que ainda nem é mãe,

Teca Machado

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