sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dias Melhores Virão – Sobre Hollywood e corpos bem fora do padrão


Ao assistir uma série na televisão parece que foi relativamente simples gravar. Roteiro, atores, cenário, figurino e, voilá, um episódio pronto. Mas o livro Dias Melhores Virão, da Jennifer Wiener, mostra que na verdade é muito complicado e cruel trabalhar em Hollywood e ter que lidar com emissoras, atores e executivos. Peguei em parceria com a Livraria Janina e não me arrependi.


Em Dias Melhores Virão conhecemos Ruth Saunders, uma escritora que está esperando ansiosamente uma ligação de um estúdio para saber se o roteiro do seu piloto de um seriado quase autobiográfico será aprovado. Quando a notícia é positiva, Ruth fica no céu e diz que fará de tudo para que ele vá ao ar, de tudo mesmo. Só que quando promete isso, mal sabe ela que eles podem transformar e picotar seu tão querido programa por causa de audiência, estrelas e ibope a ponto de nem ela reconhecer seu “filho”. Paralelo a todos os dramas de lidar com ego de atores, executivos que se acham escritores, agentes insuportáveis, contratar uma equipe de roteiristas, ter que reescrever todo o texto e assim por diante, Ruth precisa passar por cima de todas as suas neuroses, inseguranças e medos.

Quando tinha três anos, Ruth sofreu um acidente de carro. Seus pais morreram e o lado direito do seu corpo, principalmente rosto e ombro, ficaram um tanto desfigurados. Quem passou a cuidar dela foi a avó Rachel, que durante toda sua infância a levou para médicos e cirurgias para tirar as cicatrizes, o que não foi possível inteiramente. Por isso, Ruth acredita que ninguém jamais irá querê-la, principalmente Dave, seu ex-chefe e amigo, um homem um pouco mais velho, divertido, que usa cadeira de rodas devido a um acidente de barco.

Dias Melhores Virão é interessante e divertido. Não a ponto de dar risada, mas de torcer pelos personagens. Ruth cresce, amadurece e aprende mais sobre si mesma em poucos meses do que nos seus quase 30 anos de vida. De vez em quando dá vontade de sacudir ela, mas Ruth foi uma boa protagonista, não donzela indefesa, e sim do tipo que se tem problemas, tenta resolver na hora, por mais que esteja com vontade de chorar.

Jennifer Weiner

O livro soube misturar de forma inteligente os horrores de Hollywood, seus padrões de beleza e sua falta de ética, com o drama de Ruth e Dave serem fora do que todos consideram comum. Ela com o rosto com cicatrizes e deformidades, ele por não poder andar. Um casal que de certa forma se completa e longe do que conhecemos de mocinha e mocinho lindos e perfeitos.

Por falar nos personagens, a obra brilha nos seus personagens secundários. Rachel, avó de Ruth, é o tipo de avó que todo mundo no universo gostaria de ter, assim como Maurice, seu namorado octogenário que pouco aparece, mas é importante. Adorei Dave, com sua calma, tiradas inteligentes e felicidade, independente de estar na cadeira de rodas ou não (Gamei!). Mas um dos meus preferidos foi Big Dave, sócio de Dave, um homem grande, engraçado, do tipo que cresceu só no corpo, mas não no cérebro.

Em alguns momentos fiquei meio confusa durante a leitura por causa do vai e volta no passado e no presente sem muita distinção se você não prestar atenção. Só que isso não chega a prejudicar a leitura ou o ritmo da obra.

Mesmo sendo um romance, Dias Melhores Virão tem uma certa crítica ao mundo Hollywoodiano onde as pessoas são descartáveis para os executivos e as estrelas fúteis.

Recomendo.

Quer comprar? Tem aqui na Janina.

Teca Machado

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