segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A viagem é realmente uma “viagem”


Em certos filmes, o título traduzido do inglês é terrível e não tem nada a ver com o original. Algumas vezes a distribuidora brasileira acerta e fica até melhor. No caso de A Viagem, que no original chama Cloud Atlas (O nome de uma música criada no filme), o título não poderia ser melhor porque o longa (E bota longa nisso, são três horas de duração) é realmente viajadíssimo, não no bom sentido da palavra. E sim no de viagens psicodélicas resultantes de drogas pesadas.


A Viagem é uma adaptação do livro homônimo de David Mitchell e conta seis histórias diferentes em seis épocas totalmente distintas da humanidade (Algumas reais, outras não) e mostra que tudo está interligado de alguma maneira. Constantemente é afirmado que “a nossa vida não é nossa. Estamos todos ligados aos outros no passado e no presente” e que toda ação boa ou ruim causa uma reação proporcional ao que foi feito. Como os atores são os mesmos nas seis histórias, mas os personagens são distintos, sugere que são vidas passadas em vários estágios da sua passagem na Terra.

Segmento do advogado doente em viagem

Em ordem cronológica, a primeira história se passa em 1846 nos EUA. Fala de um advogado branco moribundo que está viajando de navio para efetuar um negócio de comercialização de escravos. A próxima é na Inglaterra pós guerra em 1946, que mostra um caso de amor homossexual proibido e a criação de uma obra-prima musical (A Cloud Atlas, do título) recheada de egos artísticos. Passa então para 1973, quando uma jornalista investiga usinas nucleares em São Francisco. A próxima é em 2012, com a engraçada história de idosos britânicos presos num asilo tentando fugir da instituição. Daí vai para 2144, numa época altamente tecnológica e num lugar asiático denominado Neo Seul quando empregadas e garçonetes são fabricadas artificialmente e usadas quase como escravas, mas uma se torna líder de uma revolução. Enfim, por último salta para um futuro pós-apocalíptico daqui milhões de anos quando a humanidade está quase extinta e separada por tribos de acordo com a sua cor e inteligência. Ou seja, une todos os gêneros em um filme só numa mistura pouco recomendada.

História de 2144 em Neo Seul

Não há linearidade e você demora cerca de meia hora para começar a entender a lógica do filme. No início o espectador fica muito perdido.

A sensação que tive é que algumas das histórias são realmente boas (Como a do advogado no navio e a dos velhinhos) e dariam um bom filme por si só. Mas outras são muito chatas e mal explicadas (No caso da última) e cujo fechamento me pareceu forçado. Como são muitos enredos, nenhum foi realmente bem explorado e você fica com uma sensação de informação demais misturada com informação de menos. Meio paradoxo, não? Fica tudo meio fragmentado, talvez seja o resultado do uso de três diretores: os irmãos Andy e Lana Wachowski (Matrix) e Tom Tykwer (Trama Internacional).

Um dos papeis de Tom Hanks e Halle Berry

Vale a pena assistir A Viagem pelas atuações e pela direção de fotografia. Também pela maquiagem, que é um caso a parte. O elenco conta com a presença de Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadmente, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi, Zhou Xun e Donna Bae. Todos aparecem em todas as sequências em grau de maior ou menor importância. São transformados a todo momento. Ocidentais passam a orientais, negros a caucasianos, novos em velhos e velhos em jovens e assim por diante. Às vezes eles são reconhecíveis (O Tom Hanks mesmo é sempre reconhecível), mas alguns são uma surpresa e no final do filme, aos créditos, você fala: “Não acredito que era ele/ela”.

Hugh Grant como dono de usinas nucleares no enredo de 1973

Todos os segmentos tentam ser conectados, mas em alguns casos eu não consegui achar a conexão e em outros casos achei a linha de pensamento muito tênue e frágil para realmente ser uma conexão válida. Lendo sobre A Viagem, muitos disseram que a “conexão é metafísica, sugerindo vidas passadas e relações cármicas atemporais”.

Hugo Weaving. Quem diria que ele é o Sr. Smith do Matrix?

Saí do cinema com sentimentos conflitantes. Não gostei, mas já vi piores. Várias vezes me peguei “desligando” do filme e pensando em outra coisa ou mesmo olhando ao redor na sala de cinema, principalmente depois de duas horas sentada lá.

Garçonetes escravas do futuro

Talvez o filme seja filosófico demais para o meu gosto e entendimento. Não sei se recomendo.

Teca Machado

3 comentários:

  1. Tudo verdade!Gostei do post!

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  2. Achei o filme viajado demais!
    As historias não me prenderam, não vi muita conexão entre elas e a insinuação de vidas passadas não colou.
    Positivo foi apenas a fotografia do filme e a maquiagem ( legal tentar descobrir quem era o ator/atriz por trás da mascara).
    Vi e não gostei. Não recomendo!

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  3. Achei massa o filme, tem a teoria espirita da reencarnação e todo aquele negocio de que elas vão melhorando com o tempo(ou não), acho que as historia poderiam ter funcionado igualmente bem se fosse feito um filme de cada uma mas ai teriam que aprofundar mais cada uma delas.

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