sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Teca Responde: Eu quero economia, mas o meu pai quer que eu seja médica. E agora?


Há um tempo eu disse aqui no blog que vocês podem mandar e-mail (casosacasoselivros@gmail.com) sempre que quiserem. Seja para reclamar, falar bem, pedir ajuda, fazer parceria, me dizer que sou linda, mandar perguntas ou o que for.

Ontem recebi o meu primeiro e-mail pedindo ajuda. Fiquei super feliz! Vamos ajudar a amiguinha?

Oi, Teca!

Passeando pela internet acabei achando o seu blog. Adorei. Parabéns!

Teca: Ai, que bonito! Obrigada!

Sei que não é o foco dele, mas vi há uns posts você dizendo que a gente podia mandar e-mail te dizendo qualquer coisa, então resolvi mandar um. Você pode me ajudar?

Teca: Claro. Tento ajudar a resolver de dor de cotovelo a problemas de Física Quântica (Não que eu vá conseguir, mas enfim).

É o seguinte. Eu tenho 17 anos e fiz o Enem em 2012. Fiz uma pontuação até boa, dá para passar em alguns cursos. Eu quero fazer economia e com essa nota eu acho que passo na UFMT. Só que eu sou filha única e o meu pai está querendo que eu faça medicina, mas eu não quero. Ele disse que paga cursinho e que se eu fizer medicina ele me dá um carro quando eu passar. Eu quero um carro, mas não quero medicina. Eu gosto é de economia. Mas eu não quero brigar com o meu pai, que já está me olhando torto, brigando comigo e dizendo que eu vou ficar pobre fazendo o curso que eu quero. Estou na dúvida e sem saber o que fazer. O que você me diz?

Abraço,

Maria Luisa

Teca: Oi, Maria Luisa! 

Eu passei por um problema parecido com o seu. Para te ajudar, vou falar de mim e da minha experiência, tudo bem? 

Desde sempre eu quis ser jornalista e escritora. Tive isso como certo e nem pestanejei ao preencher a inscrição do vestibular. Só que o meu pai não queria que eu fizesse jornalismo. Dizia para fazer medicina (Por que todos os pais falam isso? Eu, certamente, não vou fazer isso com os meus filhos), direito ou alguma outra coisa. O meu pai até falava o mesmo que o seu, que era uma profissão que não dava dinheiro. 

Fiquei chateada e tudo o mais, mas nem cogitei mudar de curso. Se fizesse qualquer outra coisa, podia até ganhar dinheiro, mas seria infeliz. Iria para o trabalho triste e deprimida. Bati o pé e disse que era jornalismo e ponto final. E que, se eu fosse realmente boa, ia ser bem sucedida, independente se é uma profissão que paga pouco ou não. Sendo boa, iam me dar o meu valor.


Eu dei muita sorte (E trabalhei duro, é claro). Tenho ido muito bem desde que entrei na faculdade. E sabe por quê? Porque eu gosto do que faço, porque tenho amor. Se eu tivesse feito medicina, direito ou o que seja, não teria amor: teria obrigação. Seria completamente medíocre. E o mesmo serve para você. Tenho certeza que você vai ser muito mais feliz se fizer economia. 

Sei que você não quer brigar com o seu pai, mas em algumas ocasiões temos que ser egoístas e pensar apenas em nós mesmos. E esse é o caso. Espero que você pense apenas em si mesma e faça o curso que quer. Converse com ele e explique tudo isso.

E sabe de uma coisa? Na primeira vez que o meu pai viu o meu nome estampado numa matéria em um jornal, quase morreu de orgulho. Comprou todos os exemplares da banca e saiu distribuindo dizendo “é a minha filha”. O seu pai te ama, quer te ver feliz e tem orgulho de você, então tenho certeza que ele vai fazer igual ao meu quando você for bem sucedida.

Espero ter te ajudado.

Um beijo,

Teca Machado

5 comentários:

  1. Para Maria Luisa:

    Realização é gostar mais da realidade que do sonho. ( frase do livro Desaforismos de Georges Najjar Jr )

    ResponderExcluir
  2. Também para Maria Luiza:
    Você tem só 17 anos, e talvez o conceito de felicidade e realização que você tem hoje irá mudar ao longo dos anos!
    O futuro é muito incerto e talvez vc se saia acima da média em economia e realmente ganhe bem ou você seja só mais uma na multidão e ganhe um salário mediano como a maioria dos economistas.
    Por experiência própria, quando temos que começar a pagar as contas e ainda aliar isso a ter conforto, bens de consumo, viagens e etc, e vemos que o curso que escolhemos não irá nos proporcionar tudo que gostaríamos, a visão de felicidade e realização mudam um pouco!
    Seu pai com certeza já tem essa visão modificada pelas dificuldades da vida de "gente grande".
    Pense bem o que você deseja pra sua vida e boa sorte!
    :)

    ResponderExcluir
  3. Passei já por isso Minha jovem, a faço das palavras da pessoa de cima as minhas... fiz o que eu amo, e sou completamente apaixonado pelo curso que fiz. Mas nao tive retorno financeiro... Me arrependo de não ter feito o que meus pais me pressionaram a fazer. Medicina é um curso ótimo, e pode ser direcionado em tantas áreas diferentes!
    No fim das contas, economia é um curso simples que você pode fazer Noturno enquanto trabalha meio periodo como médica.
    Em contrapartida, medicina é um curso que talvez você não tenha outra oportunidade pra fazer...
    Um abraço e seja feliz...

    ResponderExcluir
  4. Maria Luiza, faça o que você gosta! Tudo na vida da dinheiro, até vendedor de pipoca e baleiro ganham dinheiro.

    Medicina ganha dinheiro até onde não tem água e isso é verdade. Agora como economista, é bom ir para onde tem dinheiro e por todo amor que tenho a Cuiabá, ai não é o local. Sou cuiabano e moro no Rio de Janeiro há 7 anos, e economistas aqui ganham bem sendo beeeeeem mediano, se for mediano ganhará o mesmo que um médico, também mediano, e se for diferenciada, ganhará mais.

    Agora, vá para os grandes centros, no mínimo para Porto Alegre ou Curitiba, mas onde tem dinheiro é São Paulo e Rio de Janeiro.

    ResponderExcluir