terça-feira, 11 de junho de 2013

O Grande DiCaprio – O Grande Gatsby

Uma das maiores dúvidas que eu tenho quando se fala do mundo do cinema é: POR QUE o Leonardo DiCaprio até hoje não ganhou um Oscar? Sério, qual é o problema da Academia com um dos melhores atores da atualidade? O pobre coitado nem é lembrado nas indicações. Bom, não é a toa que ele está meio bravo e vai se retirar de Hollywood por tempo indeterminado a partir desse ano. Espero que na premiação de 2014 ele ganhe por O Grande Gatsby.


Já começo avisando que o filme, inspirado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald, não vai cair no gosto de todo mundo. Quem gosta de apenas blockbusters e pouco conteúdo dificilmente vai se agradar muito. Apesar do visual insano, estonteante e enlouquecido típico do diretor Baz Luhrmann (De Moulin Rouge – comentei aqui - e Romeu+Julieta), tem uma história muito mais profunda, sombria e crítica por traz.

O grande Gatsby

O Grande Gatsby é narrado por Nick Carraway (Tobey Maguire, sempre com aquela carinha de loser e de que todos são melhores do que ele), um escritor que abandonou tudo para viver como investidor de Wall Street na elétrica Nova York dos anos 1920. Morando num simples chalé espremido entre as mansões de novos ricos, ele conhece Jay Gastby (Leonardo DiCaprio), um excêntrico megalomaníaco bilionário que dá festas de arromba. 

Nick em uma das famosas festas de Gatsby

Com a amizade entre os dois surgindo, Nick vai descobrindo que o misterioso vizinho é muito mais do que um festeiro inveterado: Ele é um esperançoso apaixonado que faz tudo pela mulher amada. O alvo de adoração de Jay Gatsby é Daisy Buchanan (Carey Mulligan, doce, bonita e com um nariz de dar inveja a muitas pessoas, mas meio sem sal), prima de Nick e esposa do cafajeste pré-nazista Tom Buchanan (Joel Edgeton, excelente e a cara de Hitler).

Daisy, fofinha!

Leonardo DiCaprio demora um pouco para aparecer, pois o seu personagem é rodeado por mistério. Inicialmente, o protagonista é Tobey Maguire, o narrador, mas assim que Leonardo DiCaprio surge a cena é roubada a todo instante e o espectador só tem olhos para ele (E, convenhamos, não é nada difícil olhar aquele par de olhos azuis, né?). É impressionante como o ator consegue transformar o imponente e quase arrogante Jay Gatsby em um inseguro menino de coração partido com o passar do filme. Por favor, deem um Oscar para ele!

Casalzinho

O elenco escolhido a dedo é a alma de O Grande Gatsby. Até Tobey Maguire encaixou com o papel (Que é meio bocózinho mesmo). Além dos já citados, que são excelentes, há também Isla Fisher, como Mirtle, amante de Tom, que aparece pouco, mas prova que sabe fazer mais do que comédia, e a novata Elizabeth Debicki, como Jordan, que além de linda e alta (Ela tem 1,90!) consegue transmitir todo o glamour, desdém e libertação feminina dos anos 1920.

A linda e gigante Jordan

Apesar do trailer com cenas rápidas e coloridas, antes de assistir O Grande Gatsby pensei que ia ser chatinho. Meus pais disseram que a versão dos anos 1970 estrelada por Robert Redford e Mia Farrow era devagar quase parando. Nem as alucinantes festas eram animadas. A versão de Baz Luhrmann é completamente diferente, totalmente vibrante. Fico imaginando que o diretor deve ser um homem tão elétrico que dá cansaço só de olhar para ele. Mesmo com o ritmo rápido, não chega a ser acelerado, então a parte emocional da história não fica (muito) comprometida.

Tom, marido da Daisy. Ele não lembra muito Hitler?

Além do elenco estelar, os melhores pontos do filme foram: Trilha sonora, fotografia e figurino. Baz Luhrmann é conhecido por trazer para filmes de época músicas contemporâneas (Vide Moulin Rouge, com a melhor trilha sonora EVER). O mesmo acontece em O Grande Gatsby. As infames festas de Gatsby são regadas a muito Möet (Olha a propaganda...) e a músicas de Beyonce, Lana Del Rey, Jay-Z e outros. A trilha sonora foi completamente afinada ao longa e é considerada uma das melhores dos últimos tempos. 

Party!

A fotografia é um deleite. Mesmo que você não goste do enredo, é impossível não amar o visual do filme. É lindo, grande, exagerado, imponente. A melhor palavra para descrever é megalomaníaco, o que combina perfeitamente com Gatsby e, óbvio, com o diretor.

Ah, o figurino... As lindas e brilhantes roupas daquela década. Contas, franjas, diamantes, inocência e indecência, tudo junto. Daisy e Jordan tem um guarda-roupa de morrer de inveja. As joias são de cair o queixo. A joalheria Tiffany’s desenhou uma coleção especialmente para o filme e agora está a venda.

Essa roupa e essa tiara... Ai, ai...

O Grande Gatsby é, no final das contas, um filme triste, com uma mensagem clara a quem quer ver. Mostra a solidão de se viver num mundo cheio de gente, em festas, bebidas e dinheiro, mas sem amor, sem compaixão. Os mais afetados por isso são Gatsby e Nick, que vão ao fundo do poço. Agora entendo porque no livro O Lado Bom da Vida (Comentei aqui), Pat Peoples comenta que histórias como O Grande Gatsby deveriam ser expulsas dos clássicos americanos, pois mostram só tristeza e dor.

Homens e suas diversões dos anos 1920

Recomendo muito.

Teca Machado

4 comentários:

  1. Vixe Teca.. o Dicaprio ainda nao levou um Oscar pq ele começou a atuar relativamente bem após o "Prenda-me se for capaz". A Academia tem mtos atores espetaculares.. e o Di Caprio ta chegando la.. Além de q ele até hj nao fez algum papel q o marcou como um ícone...
    mas ele eh sim um ótimo ator.. se pá, daqui a alguns filmes mais maduros ele ganha..

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    1. Realmente, Cacá.
      Espero que ele ganhe logo, porque ele é muito bom.
      E mesmo em Prenda-me se for Capaz ele está ótimo. Amo esse filme!
      Obrigada pelo comentário.
      Beijo

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  2. Excelente filme, há tempos não assistia um tão bom.
    Mesmo sendo um Clássico americano, essa versão de Gatsby conseguiu mesclar a realidade dos anos 20 com a nossa atual. Pois como antigamente o mundo de hoje está regado de exageros, pessoas valorizando o dinheiro acima de tudo, sociedade baseadas em futilidades e cada vez mais o vazio dentro do ser humano fica mais evidente.
    Além do enredo do filme, a trilha sonora com essa mescla de novo-velho ajuda com essa comparação dos 2 mundos.

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    1. Pedro, eu concordo com tudo o que você disse. Conseguiram modernizar um clássico dos anos 1920 e isso é difícil, ainda mais com a trilha sonora.
      Que bom que você gostou também!
      Beijo

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