sábado, 1 de dezembro de 2012

Para aqueles que sofrem de imaginação fértil

Vocês se lembram da Marcella Brafman, do blog Sem Clichê, que eu comentei nesse post aqui? Então, vou falar mais uma vez que eu adoro os textos dela. Essa semana li um que chama Carta para as Mulheres. Achei muito legal, porque me identifiquei muito. 

Essa é a Marcella.

Ela, que também é jornalista e tem o mesmo nome que eu, diz que “sofre de imaginação fértil e só passa escrevendo”. Também sofro desse mal. Ou bem. Prefiro ver como bem. E esse texto fala bem isso, da nossa imaginação feminina desenfreada e enlouquecida (A minha mais que o normal, acho que eu preciso ser escritora mesmo).

Achei que seria legal compartilhar com vocês.

Segue o texto:

Carta para as mulheres – Por Marcella Brafman

“Fulana,

Eu também imaginava como seria passar o resto da vida beijando o cara logo nos primeiros instantes do primeiro beijo. Eu imaginava ele acordando ao meu lado, eu usando um pijama vergonhoso de bichinho, mas logo já “des”imaginava e imaginava que na verdade eu usava um de renda vermelho. Imaginava ele conhecendo meus pais, colocando ração para o meu cachorro e fazendo fondue em uma máquina de fondue que eu nem tenho. Imaginava ele deixando de ir beber com os amigos e surgindo na minha porta com um bouquet de flores. É aí que a imaginação tirava os pés do chão. Então, já “des”imaginava outra vez e imaginava a primeira briga. O beijo para fazer as pazes. O rosto esmagado de tanto dormir em uma manhã de domingo. Imaginava o sobrenome junto. A secretária eletrônica gravada com as nossas vozes. Não importa se eu nem tinha a ouvido. No maior dos níveis de imaginação, eu conseguia sentir e até cheirar a gola da camisa social que nem toquei.


Aí eu voava de novo. Imaginava a saudade, a paixão. Sentia enjôo e parava para imaginar a rotina ficando chata. Mas aí imaginava a gente se amando, e ele se ajoelhando, pedindo minha mão e abrindo o jornal para pesquisar um apartamento de duas vagas de garagem. Voltava a imaginar o casamento, os filhos, os olhos puxadinhos do Lucas, as sardinhas da Bianca. Imaginava ele no meio de uma praça de alimentação de shopping, contando histórias da época do colégio para fazer o menino parar de chorar. E também a viagem para Paris, para Argentina, para Ilhabela. A lua-de-mel, o carro com um grande porta-malas, a vida confortável e a sala aconchegante e quente. E tudo isso eu conseguia imaginar sem nem ter trocado uma palavra com quem quer que fosse o “ele”. Diz a doutora que imaginação não tem cura. E que no máximo sai um livro disso daí.

Sabe, minha parceira, você não é louca e você não está sozinha. Somos mulheres de imaginação. E sonhos.”

Não é tudo bem verdade?

Teca Machado

Um comentário:

  1. A energia do universo é muito maior do que se imagina, principalmente porque a maioria das pessoas não imagina nada. ( do livro de Georges Najjar Jr )

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