terça-feira, 16 de julho de 2013

William P. Young 2: A Travessia

Ontem eu comentei aqui sobre o livro A Cabana, de William P. Young. Hoje vou falar sobre a outra obra dele: A Travessia. Não é uma continuação da anterior, mas segue os mesmos padrões: Uma pessoa problemática, afastada da santidade, que tem um encontro íntimo e meio físico com Deus, com Jesus e com o Espírito Santo.


Em A Travessia, Antony Spencer (Tony) é um cara não muito legal. Nunca tratou bem ninguém: o irmão, a filha ou a esposa (Que obviamente acabou se tornando ex-esposa). Nos negócios, não foi o homem mais correto. Pode até ter respeitado as leis, mas não foi ético em muitos momentos. Fora que sempre deixou Deus muito longe dos seus pensamentos e do seu coração. 

Quando um derrame deixa Tony em coma, ele, dentro da sua mente, se encontra em um lugar totalmente diferente do que achou que seria a morte. Está num campo e, posteriormente, numa propriedade rural. Lá, está um homem chamado Jack, que o deixa com mais perguntas do que com respostas. Logo após, ele tem um encontro com Jesus, que está personificado como um homem simples e gentil de camisa de flanela, e com o Espírito Santo, retratado como uma idosa indígena que pede para ser chamada de Vovó.

Pode parecer um pouco estranho pensar Neles assim, mas em A Cabana, Jesus era um carpinteiro, um homem jovem e comum, Deus uma negra de meia idade e quase obesa e o Espírito Santo uma asiática bem pequenininha. E por mais esquisito que isso pareça, William P. Young sabe fazer funcionar essas representações. Ele o faz com o maior respeito à santidade Deles, então é algo que fica bonito e que faz o leitor querer se aproximar dos três por parecerem mais “palpáveis”.

Então, Tony, nessa jornada por essa propriedade que ele julga tão desmazelada, precisa conhecer todas as suas fraquezas, fracassos e perdas, o que não é muito fácil de se fazer. Mas a obra mostra que quando se tem Jesus ao seu lado, tudo fica mais fácil e o fardo mais leve. Além disso, Jesus dá a Tony uma dádiva: Poder curar uma vida por meio da oração. E é claro que ele egoistamente pensa apenas no próprio corpo numa UTI.

Olha aí o William P. Young de novo

Você começa A Travessia achando que será igual A Cabana: Somente conversas entre a Trindade e o protagonista (O que para algumas pessoas pode ser considerado meio chato e sem ação). Mas não. Esse livro, do meio para frente, fica completamente diferente. Tem até um toque de humor que me fez dar várias risadas. Não vou dar spoiler sobre o que é exatamente para não perder a graça, mas personagens secundários, principalmente Maggie, Cabby e Molly, fazem você morrer de amores por eles e sentir uma profunda simpatia e compaixão por suas vidas.

Muita gente andou falando na internet que em A Travessia, William P. Young queria apenas repetir o sucesso do seu livro anterior e ganhar dinheiro em cima disso sem uma história que realmente prende. Mas não é o que acontece. A Travessia não é mais do mesmo, mas arrebata o leitor da mesma maneira. É engraçado tentar entender como funciona a mente do autor para criar umas situações tão absurdas que podem até fazer sentido, já que Deus é Todo Poderoso e pode fazer tudo isso acontecer se ele quiser.

Com a leitura leve, fluída, às vezes meio confusa, quando se fala de teologia, e diversas vezes divertida, A Travessia é um livro sobre esperança. Mostra que, mesmo quando você acredita que as suas chances de ser salvo acabaram, Deus te ama tanto que ainda assim te dá mais uma oportunidade.

Não é profundo ou triste como A Cabana, nem mesmo tão marcante. Eu nem chorei ou me emocionei muito em A Travessia. Mas é um livro que pode mudar vidas, pois falar sobre segundas, terceiras, quartas chances de se acertar com Deus. A lição que fica é que para Ele, nunca é tarde demais.

Recomendo.

Teca Machado

P.S.: Quer saber quem é Jack, no livro? Pensei em várias figuras diferentes da Bíblia, mas não consegui encaixar em nenhuma. Pesquisando na internet, descobri que era uma homenagem a um autor que tinha o apelido de Jack e que influenciou bastante William P. Young. Clique aqui para saber quem é.

Um comentário:

  1. Eu acabei de ler esse livro ele é incrível, sei que é uma interpretação sobre a Trindade só próprio autor mas não deixa de falar o mais importante, sobre o amor de Deus independente do que somos, não queria que o livro tevesse acabado de ser lido tão rápido, sabe igual àquela série que vc não quer que tenha fim, kkkk vc por gentileza sabe de algum ou alguns livros para indicar? Desde já agradeço

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